Imagens de estupro coletivo remetem a funk com várias versões

Nas imagens da jovem de 16 anos violentada no Morro da Barão, no complexo de Favelas São José Operário (zona oeste), divulgadas nas redes sociais, é possível ouvir vozes de homens que mencionam “mais de 30 engravidou”, enquanto riem da vítima, desacordada e nua, e chegam a tocar em suas partes íntimas. A citação refere-se a um funk que já ganhou várias versões nos bailes das favelas e da periferia do Rio, chamado “Mais de 20 engravidou”. 

Com letras adaptadas para diferentes comunidades, o funk menciona personagens que se relacionam com várias mulheres diferentes e engravidam muitas delas. Uma versão é do MC Cazuza, do Recife, sobre o personagem D’red: “O D’red ele é sinistro/ Podes crer que esculachou/ Na GAB tira onda / Mais de 20 engravidou / O D’red ele é sinistro / Podes crer que esculachou / Na faculdade tira onda / Mais de 20 engravidou/ Ele é o mestre do disfarce/ Ilude até o ilusionista/ Se mexer com o D’red/ Tu vai ficar de barriga/ Em casa é com a fiel/ E na rua é com as novinhas/ D’red tá dividido/ Entre o amor e a orgia”.

Outra versão é de DJ Daniel, de Minas: “Mas eu vou te dar um papo pois eu não tô de caô / Mais de 20 engravidou / Não quero mais casamento / Mulherada, estou solteiro / Não casem, casar é uma m…/Sou f…, na cama te esculacho, na sala ou no quarto/ No beco ou no carro”.

Uma terceira versão, de MC Smith, tem a mesma letra, com variações de favelas do Rio, como Mangueira e Chatuba. “Pras novinhas da Mangueira / Por favor não se intimida / É mexer com o Chevette /Tu vai ficar de barriga/ O papo tá maneiro / Negócio é chapa quente / Depois de nove meses /Tu vai ganhar um presente/ Mas eu vou te dar uma ideia/ Pois eu não tô de caô / O Chevette ele é sinistro/ Mais de 20 engravidou.” Nas redes sociais é possível encontrar as várias versões, em geral acompanhadas de imagens de rapazes nas favelas e fotografias de mulheres de biquíni ou nuas.

Baile

Em depoimento à polícia, a jovem disse que foi a um baile no Morro da Barão, disposta a encontrar um “ficante”, o jogador de futebol Lucas Perdomo Santos, de 20 anos. Ela disse ter sido dopada e ter acordado com 33 homens em volta, armados. A casa onde a vítima estava é conhecida como “abatedouro”, ponto de encontro dos jovens depois dos bailes. O depoimento da adolescente causou dúvidas pelo fato de ela ter citado o número de agressores. Uma pessoa envolvida nas investigações disse à reportagem que a jovem pareceu em alguns momentos em dúvida quanto ao número de homens que a violentaram, mas disse não ter dúvida de que foi atacada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Fonte: Diário de Pernambuco

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