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Inmetro produz substância que ajudará polícia em investigações criminais

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) apresentou nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, os Materiais de Referência Certificados (MRCs) para as chamadas drogas de abuso. Produzidos em parceria com o Ministério da Justiça, os MRCs são um auxiliar de peso para as investigações criminais.

As substâncias puras foram transformadas em padrões reconhecidos internacionalmente e poderão ajudar na solução de crimes com custo e prazos menores, informou o Inmetro, por meio de sua assessoria de imprensa.

Os MRCs foram produzidos para drogas com pureza elevada, como cocaína e o composto por diazepam ou flunitrazepam conhecido como Boa Noite Cinderela, usado para desacordar pessoas que ficam reféns de golpes, assaltos e de violências sexuais.

O diretor de Metrologia Aplicada às Ciências da Vida do Inmetro, José Granjeiro, esclareceu que os materiais de referência são usados para calibração dos equipamentos analíticos que identificam drogas de abuso ou entorpecentes ilegais, entre os quais maconha, cocaína e ecstasy. Segundo Granjeiro, para identificar com segurança e maior confiabilidade a presença desses compostos em amostras de um indivíduo acusado de um crime, os peritos precisam fazer testes analíticos.

Economia
“Tendo os equipamentos sido calibrados com Material de Referência Certificado, os testes apresentam uma confiança altíssima e evitam que uma pessoa seja acusada injustamente ou garantem que um acusado realmente estava utilizando qualquer um desses compostos”, indicou. O resultado são laudos periciais mais robustos.

Outra vantagem é que os MRCs substituirão um produto importado, o que representará economia para o Inmetro e a rede de laboratórios credenciados. José Granjeiro disse que uma economia será financeira, “porque cada pequena amostra importada custa centenas de dólares”.

Haverá também economia de tempo, uma vez que os MRCs produzidos pelo Inmetro reduzem o processo de importação, que é demorado, e ainda a burocracia para conseguir autorizações para aquisição dos materiais de referência desses compostos, que não podem ser vendidos livremente.

Detran
Conforme Granjeiro, um laboratório sem o MRC não pode emitir laudo. Apesar de o Inmetro não ter ainda um cálculo de custo, o diretor estimou que a economia obtida significará algo em torno de um quinto do valor praticado no processo de importação.

Para Granjeiro, além do tráfico de entorpecentes, os MRCs poderão ser usados pelos laboratórios credenciados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Detran) na realização de exames toxicológicos de larga janela de detecção, exigidos para as categorias C, D e E de motoristas habilitados, que verifica se esses profissionais estão trabalhando livres de entorpecentes.

A disponibilização desses MRCs para os laboratórios depende de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula o trânsito desses compostos. José Granjeiro disse acreditar que em algumas semanas isso seja encaminhado.

Ciências da vida
O Inmetro inaugurou também nesta quinta-feira, no Campus de Laboratórios de Xerém, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, os laboratórios de Microscopia Aplicada às Ciências da Vida e de Macromoléculas – Bioanálise de Proteínas e Carboidratos.

Na ciência da vida, todos os esforços convergem para a área biológica. Na chamada biometrologia, é feita a quantificação de células, moléculas, como proteínas, ácidos nucleicos. Um exemplo de proteína são os anticorpos usados para tratar câncer, denominados biofármacos.

José Granjeiro afirmou que a eficiência dos biofármacos depende da identificação da estrutura correta dessas moléculas, de sua composição química e da verificação da conformação do efeito biológico que ela causa em uma célula. Para ter confiança nas medidas relacionadas a esses requisitos, é necessária a biometrologia.

Os laboratórios inaugurados são especializados nessas análises e constituem o primeiro degrau para construção de um laboratório de caracterização físico-química de biofármacos, que é meta do Inmetro para daqui a três anos.


Fonte: Diário de Pernambuco

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