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José Carlos L. Poroca: Coming soon

Por José Carlos L. Poroca

Executivo do segmento shopping centers

Houve uma fase em que tive a “brilhante” ideia de colocar títulos em outras línguas (inglês, italiano, francês) para os meus escritos. Fui alertado por um cuidadoso leitor da desnecessidade de usar o artifício. Ele estava certo por vários motivos, principalmente porque não sei falar/escrever nenhuma língua estrangeira, nem a nativa. Não parei totalmente; algumas vezes, usava o método ‘forçar a barra’, para provocar interesse no conteúdo. No caso presente, digo que não estou usando o método, faço uma homenagem à sétima arte, em especial aos trailers que antecedem/iam o filme principal, nas salas de cinema.

Os trailers se constituam numa excelente ferramenta de marketing, prometendo e nem sempre cumprindo o que viria “em breve”. Através deles, além da força da presença de atores famosos, as grandes iscas para venda de ingressos, eram as promessas do o “nunca jamais visto”, o “incrível”, o “emocionante”, junto com cenas selecionadas por experts para criar o desejo de ver por inteiro o que era pré-apresentado. Hoje, a divulgação foi ampliada, desde o lançamento mundial simultâneo (os blokbusters), as informações via Web, a baixa eletrônica dos filmes e até a possibilidade de adquirir os “genéricos”, antes mesmo de seus lançamentos. O cinema continua agradando os que já o apreciavam e os que entraram na geração Spielberg.

O coming soon sai das telonas e vai para a realidade atual. Fico na dúvida se o espetáculo ainda está por vir ou se o “em breve” já passou e ficamos a ver navios, lambendo dedos. Posso estar equivocado, mas a segunda hipótese é a mais provável. Deixamos de ver Brandos em cena e vimos canastrões que não passariam em testes de filmes B ou C. Perdemos a oportunidade de ver “o grande espetáculo da terra” e restaram buracos na lona, alguns “incosturáveis”. Não sobrou nem para o lanterninha: a bateria da lanterna enferrujou e o coitado sobrevive com uma aposentadoria mixuruca.

Não desisti. Continuo vendo à minha frente o coming soon, no aguardo do ‘país do futuro’ e na espera da luz no fim do túnel. Como aconteceu à época, quero ver – como aconteceu no “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. de Mille -, a abertura do Mar Vermelho para os hebreus chegarem à outra margem. Falta pouco, mesmo com os ‘egípcios’ na nossa cola. Quem desejar pode substituir “hebreus” por brasileiros, e “Mar Vermelho” por Rio São Francisco. Dá no mesmo.


Fonte: Diário de Pernambuco

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