Liderança do grupo na Copa América vale menos desgaste para seleção

O primeiro lugar ao Brasil no Grupo B da Copa América Centenário, nos Estados Unidos, vale mais do que, teoricamente, enfrentar um rival mais fraco na quartas de final —Estados Unidos ou Paraguai, evitando a Colômbia.

Vale também menos desgaste a um elenco que tem atletas, na maioria, em final de temporada por atuarem na Europa — o grupo já teve cinco cortes por lesões na competição (três “europeus”, Douglas Costa, Rafinha e Ederson, Ricardo Oliveira, que atua no Brasil, e Kaká, nos Estados Unidos).

Se acabar na liderança da chave, o Brasil joga em Nova Jersey, ao lado de Nova York, na sexta (17). Como encerra sua participação na primeira fase no domingo (12) contra o Peru, em Boston, o deslocamento seria de um voo de aproximadamente uma hora (são 346 km de distância entre as cidades).

O segundo lugar, por outro lado, faria a seleção viajar novamente de costa a costa nos EUA — na estreia o time atuou próximo a Los Angeles, no oeste, e depois voou mais de cinco horas a Orlando, no leste.

O jogo de quartas de final como segundo seria em Seattle, a 4.600 km de Boston, com mais de seis horas de voo.

E não é só o desgaste dentro do avião o problema. Há também o fuso horário, com três horas a menos do que o elenco convive em Orlando e Boston, sedes do segundo e terceiro jogos na competição.

Seria a quarta mudança de fuso dentro dos Estados Unidos desde que a delegação desembarcou no país, em 23 de maio.

Primeiro teve o horário da costa oeste, em Los Angeles, onde o time se preparou para o torneio, com diferença de quatro horas para o Brasil. Depois o de uma região mais central, em Denver, palco do amistoso contra o Panamá, com três a menos do que o Brasil, e por último o da costa leste, em Orlando e Boston, com uma a menos se comparando com o horário de Brasília.

Para piorar, o jogo em Seattle seria na quinta (16), ou seja, o time teria um dia a menos para se recuperar do confronto contra os peruanos.

“Nosso objetivo é ser primeiro, independentemente de contra quem ou onde vamos jogar”, disse o lateral-direito Daniel Alves, que vem sendo o capitão com ausência do zagueiro Miranda, que se recupera de uma pequena lesão na coxa.

MÃOZINHA

O empate entre Equador e Peru, 2 a 2, na quarta (8), fez com que o Brasil possa ser primeiro até com um empate, desde que o Equador não bata o Haiti por diferença superior a seis gols – o Brasil fez 7 a 1 e abriu seis de saldo de gols, contra zero dos líderes das eliminatórias à Copa-2018.

Se vencer os peruanos, o time de Dunga não precisará se preocupar com o resultado dos equatorianos, que por sinal acontecerá antes, também no domingo.

A tabela da competição não colocou os jogos de cada um dos quatro grupos nas rodadas finais da primeira fase no mesmo horário, como de praxe em torneios grandes organizados pela Fifa ou até mesmo pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), que faz isso para evitar suspeitas de combinações — a Copa América Centenário tem organização da US Soccer, a federação de futebol dos EUA.

Portanto, Brasil e Peru saberão exatamente o que é preciso fazer para serem primeiro ou segundo da chave. Ainda há claro, a terceira hipótese, que seria desastrosa para Dunga: uma derrota pode eliminar os brasileiros precocemente.


Fonte: Folha.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook