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Livros e filmes eternizam Ali na cultura pop

A importância de Muhammad Ali transcendeu o esporte. Foi ídolo e modelo para muitos que nem eram fãs de boxe ou conheciam seus feitos em cima de um ringue. Na cultura pop, o nome de Ali foi sinônimo de graça, talento, beleza, coragem e ativismo. Seu legado foi eternizado em canções, filmes e livros.

Muitos músicos famosos mencionaram o lutador em canções. Um dos primeiros a citar Ali (então conhecido por Cassius Clay) foi Bob Dylan, na faixa “I Shall Be Free No. 10”, de 1964, em que o compositor imagina uma luta contra Clay: “Vou fazer sua cara ficar igual à minha (…) nem sua mãe vai te reconhecer”, brinca Dylan.

Depois, Ali foi lembrado em canções de Billy Joel (“Zanzibar”), Will Smith (“Gettin Jiggy With It”), 50 Cent (“Many Men”), LL Cool J (“Mama Said Knock You Out”), da banda Faithless (“Muhammad Ali”), Tori Amos (“Professional Widow”), Cat Power (“The Greatest”), Drake (“Under Ground Kings”) e Jay Z (“F.U.T.W”), entre muitos outros.

No Brasil, a mais bonita homenagem musical a Muhammad Ali veio de Jorge Ben, que compôs, em parceria com Toquinho, “Cassius Marcellus Clay”, faixa do disco “Negro é Lindo”, de 1971, um dos LPs mais politizados da carreira de Ben. A letra chama Clay de “herói do século 20, sucessor de Batman, Capitão América e Superman”, e diz que ele tem “a cadência de uma escola de samba”.

Na literatura, Muhammad Ali foi um tema constante. Talvez o livro mais lembrado seja “A Luta” (1975), de Norman Mailer, sobre a antológica vitória de Ali no combate contra George Foreman no Zaire, em 1974. Mais recentemente, David Remnick, da revista “The New Yorker”, escreveu o sensacional “Rei do Mundo “” Muhammad Ali e a Ascensão de um Herói Americano”. E outro livro incrível que fala de Ali é “The Devil and Sonny Liston”, de Nick Tosches, em que o autor garante que Liston entregou a famosa derrota para Ali, em 1964, por ordem da máfia, que faturou milhões de dólares apostando em Ali, então um azarão de 7 para 1.

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FILMES

O cinema e a TV cansaram de mencionar Ali. Mais de uma dezena de atores interpretaram o pugilista. O mais conhecido deles é Will Smith, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator por “Ali” (2001), dirigido por Michael Mann.

Mas os dois melhores filmes sobre Muhammad Ali são documentários. O primeiro é “Quando Éramos Reis” (1996), de Leon Gast, sobre a famosa luta contra George Foreman no Zaire. O diretor acompanhou Ali antes, durante e depois do combate e gravou cenas memoráveis do lutador interagindo com a população local, que o apoiou efusivamente na luta. Gast levou mais de 20 anos para financiar o documentário, mas a espera valeu a pena, e o filme venceu o Oscar de melhor documentário.

Outro excelente filme sobre Ali foi produzido pela HBO em 2009: “Encarando Ali” reúne entrevistas e cenas de arquivo de adversários do pugilista, que recordam os combates e dão suas opiniões sobre o rival. É comovente ouvir os depoimentos de gigantes como Joe Frazier, George Foreman, Ken Norton, Larry Holmes e Leon Spinks.

Eles elogiam Ali, mas também falam de suas fraquezas e defeitos. Um frágil Joe Frazier –que morreria dois anos depois do lançamento do filme– fala da humilhação que sentiu com as provocações de Ali na imprensa e que o motivaram a bater Ali na chamada “Luta do Século”, em 1971.

E George Foreman relata a tática usada por Ali na disputa do título no Zaire, em 1974, quando Ali deixou Foreman bater à vontade por vários rounds, só para cansá-lo e liquidá-lo depois.

“No fim de um round, ele olhou para mim com uma expressão irônica, como se dissesse: ‘Ah, te enganei, agora vou acabar com você'”, recorda Foreman.


Fonte: Folha.com.br

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