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Livros esmiúçam trajetória de Roger Federer

Ele é o rei da cocada preta, o ó do borogodó, a última bolacha do pacote –enfim, ele é o cara. E ainda vem ao Brasil para se exibir nos Jogos do Olímpicos do Rio.

No mundo esportivo, superlativos tradicionais já perderam o prazo de validade quando se fala de Roger Federer.

Muitos consideram o tenista suíço o melhor de todos os tempos e exibem estatísticas para sustentar sua tese: recorde de conquistas de Grand Slams, com 17 vitórias, recorde de semanas como número 1 do planeta (302), campeão da Taça Davis, medalhista olímpico (ouro em duplas e prata em simples) e por aí vai.

Mais que números, fãs e especialistas elegem Federer pelo intangível: a elegância de seu jogo, em que veem uma combinação de criatividade com o estilo clássico, movimentação no fundo da quadra e subidas à rede, economia de movimentos e exuberância, frieza e nervos à flor da pele.

Não por acaso, portanto, sua primeira biografia em língua inglesa teve como título “Fantastic Federer”, que dispensa tradução. Produzida em 2005/06 pelo comentarista esportivo Chris Bowers, vem sendo revisada e reformada desde então, chegando mesmo a receber nomes diferentes –um deles foi “Roger Federer, The Greatest” (O maior de todos).

A versão que chega ao Brasil, atualizada até 2015, tem título mais sóbrio, clássico como o estilo do campeão.

De caráter quase enciclopédico, “Federer” acompanha a carreira do tenista suíço desde as primeiras raquetadas até suas ações benemerentes e maquinações políticas entre a cartolagem do esporte. Sem deixar de dedicar polpudo espaço para sua rivalidade com Rafael Nadal.

Na obra, o autor se coloca como observador da trajetória do astro; procura analisar, entender e explicar as razões de sua ascensão e regularidade como esportista de alto nível. Não deixa também de apontar eventuais máculas no comportamento do atleta.

Atitude bem diferente tem William Skidelsky, ex-editor das páginas de literatura do jornal britânico “Observer” e dedicado tenista amador.

Em “Federer and Me: A Story of Obsession” (Federer e eu: uma história de obsessão), lançado em maio último, o jornalista derrama nas páginas suas emoções.

Trata-se de uma espécie de jornada interior, em que Sidelski faz elucubrações sobre seu autoproclamado fanatismo (que nem é tão grande assim, comparado com exemplos que ele mesmo cita no livro).

Mergulha em análises de suas relações com o pai ao mesmo tempo em que busca entender a psicologia dos torcedores exageradamente dedicados.

Apesar do estilo leve e bem-humorado, a obra não passaria de digressões pessoais de limitado interesse se não fossem capítulos em que o autor deixa por momentos de falar de si mesmo.

Há, por exemplo, uma boa análise sobre a evolução dos equipamentos usados no tênis e do impacto do tamanho das raquetes no estilo dos jogadores.

Já Bowers mantém distanciamento (levemente) crítico ao longo de sua obra. Baseado fundamentalmente em notícias de jornal, o livro não traz informações de bastidores nem consegue penetrar nas motivações do atleta –ainda que pince boas declarações de entrevistas dadas pelo suíço.

Sua força maior são as descrições minuciosas das partidas mais marcantes de Federer, os golpes e contragolpes, as falhas em matar jogos, as defesas fabulosas, as viradas históricas.

Há muita informação, mas o estilo é um tanto relatorial. A tradução para o português carece de revisão rigorosa, que torne a leitura mais escorreita e elimine falhas desagradáveis “”há erros de concordância e profusão de vírgulas mal colocadas.

Acima de tudo, falta Federer nesses livros sobre Federer.

FEDERER

Autor Chris Bowers

Quanto R$ 69 (Saraiva)

Avaliação Bom

‘FEDERER AND ME: A STORY OF OBSESSION’

Autor William Skidelky

Quanto US$ 14,88 (Amazon)

Avaliação Regular


Fonte: Folha.com.br

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