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Lucas Leiva, do Liverpool, consegue cidadania britânica para driblar Brexit

O volante brasileiro Lucas Leiva, 29, ex-Grêmio e atualmente no Liverpool, da Inglaterra, tirou a cidadania britânica há dois meses e não sofrerá as possíveis consequências do voto pela saída do Reino Unido da União Europeia.

Leiva já tinha passaporte italiano e recebia o tratamento de europeu, seguindo caminho trilhado anteriormente por vários outros jogadores brasileiros. No entanto, diante do aumento de discussões sobre a separação entre Reino Unido e União Europeia nos últimos anos, o jogador decidiu se precaver.

“Eu tirei a cidadania britânica porque tinha direito e todos os anos que passei na Inglaterra foram muito bons. Para o futuro dos meus filhos isso pode ser interessante. E também pelo fato de algo como o que aconteceu [Brexit]”, diz Leiva à Folha.

O Brexit –contração das palavras em inglês “britânica” e “saída”– pode afetar consideravelmente os clubes da Premier League, a mais rica liga de clubes do planeta, composta de times ingleses. Com o possível fim da livre circulação de pessoas pertencentes a países do bloco, os jogadores europeus deixariam de ter tratamento privilegiado e passariam a ser encarados como quaisquer outros atletas estrangeiros. Dessa forma, eles precisariam de vistos de trabalho cuja aceitação inclui rigorosos critérios de análise.

“Creio que nos próximos anos não haverá muitas mudanças. Não sabemos ainda como os clubes serão afetados, mas com certeza para o futebol não será bom”, diz.

Segundo o jogador, o processo de obtenção da cidadania tem período prolongado

“O processo todo levou dez meses, mas é preciso estar morando no mínimo seis anos [no Reino Unido].Ou seja, sete anos ao todo: seis morando e mais um de processo”, explica. O site do governo local diz que é necessário viver por cinco anos no país para poder requisitar a cidadania. Leiva chegou ao Liverpool em 2007.

“Eu creio que os pedidos de cidadania inglesa irão aumentar”, projeta.

O processo de separação entre país e bloco ainda deve levar cerca de dois anos. Nesse período, especula-se que os regulamentos de transferências da Premier League serão flexibilizados. O volante brasileiro não acredita nisso.

“Conhecendo um pouco os ingleses eu percebo que eles preferem que fiquem somente os ingleses no país”, diz, dando eco a análises que veem posições nacionalistas como sustentação do Brexit.

Leiva ainda lembra que a desvalorização da moeda britânica também será motivo de discussão e negociação entre jogadores e clubes.

“Não tenho conhecimento ainda do que vai acontecer ou até mesmo como isso vai me afetar, porque meu contrato é em libra. Agora temos que esperar e ver como o Reino Unido vai encaminhar essas mudanças.”

NOTA DE CORTE

Desde março de 2015, atletas têm de ter atuado em uma porcentagem mínima de partidas pelas respectivas seleções nacionais nos últimos dois anos para poderem ser contratados.

A porcentagem é definida de acordo com a posição da seleção no ranking da Fifa. Atletas de países cujas equipes estão entre o primeiro e o décimo lugar no ranking precisam ter jogado em pelo menos 30% das partidas internacionais nos últimos dois anos. A exigência de participação na seleção aumenta à medida que o país ocupa posição mais baixa no ranking.


Fonte: Folha.com.br

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