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Magistrados entram com ações contra jornalistas depois de matéria sobre supersalários

Depois de publicarem matérias sobre supersalários de magistrados e membros do Ministério Público estadual, jornalistas da Gazeta do Povo dizem sofrer perseguições por parte de juízes, que decidiram processá-los. As ações, que partiram do judiciário, prejudicaram o funcionamento dos jornalistas, que viajam há dois meses para participar de audiências de reconciliação.

Os jornalistas disseram que um grupo de juízes apresentou mais de 30 ações individuais, no Juizado Especial, pedindo o teto de pequenas causas (40 salários mínimos). Eles são obrigados a comparecer pessoalmente em todas as audiências de conciliação.

“Nos últimos dois meses, nós viajamos o Paraná inteiro para participar de audiências sem qualquer propósito, sem contar as tardes que tivemos que passar nos juizados aqui de Curitiba e da RMC. Sem poder trabalhar, sem poder tocar nossas vidas”, desabafou o jornalista Francisco de Souza.

No Facebook, Souza ainda ressaltou que “representantes da própria Justiça estão deturpando os instrumentos do Poder Judiciário para tentar calar a imprensa e constranger jornalistas”.

Segundo o Jornal Folha de S.Paulo, os jornalistas sofreram uma primeira condenação, de R$ 20 mil. Na decisão do julgador foi dito que a Gazeta do Povo “agiu de maneira descuidada” e “perjorativa”. A associação dos magistrados do Paraná nega existir uma intimidação ou ação coordenada por parte dos juízes.

Matéria
A matéria, que gerou toda polêmica, foi publicada em 15 de fevereiro deste ano. Nela, os jornalistas informaram que na média, em 2015 juízes e desembargadores ganharam 28% além do máximo legal, enquanto os promotores e procuradores ficaram com 23% a mais.

A reportagem traz o seguinte trecho: “O teto salarial para membros de ambos os poderes é de R$ 30.471,10 – o equivalente a 90,25% do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Considerando o 13º e o adicional de férias, isso representaria, em um ano, R$ 411,3 mil, em valores brutos”.

Segundo Francisco de Souza, houve diversas checagens e “não tem um número ou uma palavra que não seja 100%, comprovadamente verdadeira” afirmou.


Fonte: Diário de Pernambuco

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