Últimas

Matheus Harb: Do entusiasmo ao caos

É bem verdade que o gol foi irregular e o primeiro tempo animador, mas brasileiros precisam encarar a eliminação da Copa América Centenário



GOAL Por Matheus Harb, de Foxborough, MA (EUA)


 

Não houve um jornalista sequer no Gillette Stadium que não tenha se entusiasmado com o anúncio da escalação do Brasil para o duelo contra o Peru, neste domingo (12). Fugindo a suas características, Dunga mandou a campo o time sonhado – para aquilo que o Brasil tinha à sua disposição: Lucas Lima no meio com Elias e Renato, e Gabriel substituindo o ineficiente Jonas no ataque. Na teoria, era o que a Seleção precisava para dar um passo adiante já na próxima fase, para encarar adversários à altura da Colômbia. Talvez, a cabeça dos brasileiros tenha ido longe até demais.

 

O primeiro tempo foi promissor: boas combinações, infiltrações e chegadas que só não viraram gol pela boa participação de Gallese. À parte a atuação de Willian, de péssima e desconcentrada atuação, o Brasil dava impressão de que ‘faltava pouco’ para chegar ao gol e selar sua classificação. Como em outras ocasiões, porém, os brasileiros voltaram a sofrer uma crise de identidade, incompatível com o discurso de união e, mais ainda, de enfrentamento de frente das adversidades. Não foi o que se viu.

 

 

Qualquer acerto e motivo para elogio ruiu na volta do intervalo, quando o time mostrou gritantes lapsos de concentração e empolgou o Peru, que saiu de sua posição de franco atirador para tentar ganhar terreno, e causar complicações reais ao time de Dunga. O treinador, aliás, abriu mão de sua iniciativa mais ousada e, sem fazer as mudanças necessárias, cavou a cova do Brasil.

 

Diante da paralisia verde e amarela, Ruidíaz aproveitou para, com a mão, tirar o Brasil de sua terceira Copa América seguida – a primeira, desde 1987, em que o time cai na fase de grupos. O ocaso brasileiro ganha, então, ares ainda mais deprimentes na fria noite de Foxborough, aquecida apenas pela empolgação e a paixão dos torcedores peruanos.

 

 

A grande questão é se, daquela vez, o futebol brasileiro teve a derrota como um ponto de inflexão em sua história, que culminaria no tetra mundial de 1994, desta vez parece cada vez menos que um Romário – ou hoje, um Neymar – e mais um punhado de coadjuvantes será o suficiente para tirá-lo do buraco em que se encontra. Nem Dona Lúcia se atreveria a nos brindar com suas célebres cartas motivacionais para oferecer qualquer alento, ainda mais depois de ver Hulk surgir do banco de reservas para salvar a Seleção. Não, ela não se atreveria.


Fonte: Goal.com

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook