"Melhor do que Xavi", Marcos Senna relembra título da Euro com a Espanha e aposta no Tri

Exclusivo: o ex-jogador falou sobre a polêmica envolvendo ausência de Raúl em 2008, comparou aquele time com o atual e citou os seus três favoritos ao título


GOAL Por Tauan Ambrosio 


Primeiro e único brasileiro a ser campeão da Eurocopa, Marcos Senna foi parte importante de um momento que mudou, para sempre, a história do futebol espanhol. Em 2008, vestindo a camisa 19, o meio-campista foi importantíssimo no time comandado por Luis Aragonés na conquista da Euro 2008.

A Espanha estava há 44 anos sem um troféu de primeira grandeza, e era motivo de piadas em todo o mundo. Aqui no Brasil, a frase “jogou como nunca, perdeu como sempre” era quase uma continuação do nome Seleção Espanhola.

Em contato por telefone, o agora ex-jogador relembrou momentos importantes daquela conquista, disse acreditar ter sido o grande craque daquele torneio e deu a sua opinião sobre a polêmica ausência de Raúl – ídolo do Real Madrid e seu companheiro no Cosmos, dos EUA – naquele torneio.


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Além disso, afirmou não se arrepender de ter escolhido jogar pela Seleção Espanhola e comparou a atual equipe com a treinada por Luis Aragonés. Embaixador do Villarreal, clube que defendeu por 11 anos e do qual é o maior ídolo, falou português com um carregado sotaque espanhol. Mas ele garante: isso acontece apenas nas primeiras entrevistas dadas após um bom tempo falando em espanhol. Abaixo, confira o bate papo exclusivo!

Qual é o momento que você mais lembra a campanha na Euro de 2008?

“Ah, sem dúvida as quartas de final contra a Itália. A Espanha tinha um histórico ruim contra a Itália, que era a campeã do mundo e tinha chegado outra vez.

Marcos Senna vence Buffon… e a Espanha passou pela Itália: vitória marcante no caminho pelo título (Foto: Getty Images)

A gente não tinha jogado tão bem, fomos para a prorrogação e no final ganhamos nos pênaltis. Para mim, e para muitos, foi o jogo que mais marcou. Ali, a gente deu um passo definitivo para ser campeão”.

Antes daquela conquista, uma frase muito dita no Brasil era que “A Espanha jogava como nunca, perdia como sempre”. Vocês falavam sobre esse tipo de histórico naquela época?

“Não. Eu particularmente não lembro, só quando estava no Brasil. Aqui a mensagem era sempre muito positiva, seja da TV, publicidades, dizendo que nós podíamos. Em 2006, fizeram algo do tipo na Copa, mas não deu (risos). Daí em 2008 fizeram de novo e conseguimos”.

Qual é a sensação de fazer parte de um momento chave para a história de um país tão apaixonado por futebol?

“É um privilégio. É como se tivesse ganhado na loteria. Grandes jogadores não ganharam um torneio como esse. O Cruyff, o próprio Raúl… eu me sinto um privilegiado. Cheguei do Brasil, quietinho e, modéstia à parte, fiz uma grande Eurocopa. Vários me consideram o melhor jogador daquela Eurocopa, não apenas da Seleção Espanhola.

Falam do Xavi por burocracia, vai (risos). Porque um brasileiro não vai pegar um troféu de melhor jogador da Eurocopa. Até mesmo alguns companheiros falavam: ‘desculpa, Xavi é um grande jogador, mas você foi o melhor jogador da Eurocopa’”.

Você jogou com Raúl na Copa do Mundo de 2006 e no Cosmos. Como foi a experiência? Ele guarda rancor por não ter ido para a Eurocopa de 2008?

“Foi um privilégio, porque o Raúl foi um mito como jogador. A gente se aposentou juntos no Cosmos. Jogamos lá durante um ano e nunca sequer toquei no assunto da seleção. Procurei ter um bom senso, porque provavelmente ele ficou muito magoado.

Não sei por que ele não foi. Provavelmente deve ter havido algum mal-entendido com o treinador, mas a única coisa que nós sabíamos é que ele era um dos melhores atacantes que tinha. Talvez o melhor jogador da Seleção Espanhola na época”.

Bem ou mal o fim do reinado dele na Espanha simbolizou o início de uma seleção vitoriosa…

“Aquela seleção foi onde iniciou tudo, né? Com a mudança tática do Luis Aragonés, que hoje é falecido, ele (Raúl) não participou.

Marcos Senna foi um dos destaques da Espanha na Euro 2008 (Foto: Getty Images)

Provavelmente isso deve ter doído muito nele, porque para um jogador, depois de conquistar tudo com o clube, o máximo é conquistar com a sua seleção. Ele conquistou tudo pelo Real Madrid, e não com a Seleção Espanhola, que ele provavelmente queria tanto”.

Acredita que uma rivalidade entre Atleti e Real, pelo fato do Aragonés ser o treinador na época, teve a ver com a ausência dele na Euro?

“Não, nenhuma. Até mesmo porque ele era um treinador imparcial. E tem que ser. A gente não sabe o que passa na cabeça de cada um, mas no momento da convocação o treinador quer sempre os melhores.

Aragonés causou polêmica ao não convocar Raúl para a Euro 2008. No final, deu certo (Foto: Getty Images)

Ele não pode ser torcedor. Porque no final, se perde, a bomba cai em cima dele. Naquela hora ele buscou os melhores do momento. O Raúl caberia facilmente, mas não sei dizer por que ele não foi. Hoje em dia é mais difícil ainda dizer, porque o Aragonés morreu…”.

Quais são as diferenças daquela equipe do Aragonés, para a treinada hoje pelo Del Bosque?

“Eu acho que não muda muita coisa. Essa seleção tem muita qualidade, tem grandes jogadores. É por isso que eu sigo acreditando que pode chegar e ganhar outra vez.

Espanha de 2008: prontos para entrar na história (Foto: Getty Images)

É difícil, mas é uma seleção que, nome por nome, é semelhante àquela de 2008. Aquela funcionou bem, vamos ver se essa funciona também”.

A Espanha pode emplacar um tricampeonato?

“Eu acho que sim. Do goleiro ao atacante, segue tendo grandes jogadores. É uma mistura de jovens com experientes que estão em plena forma.

A seleção atual quer manter o domínio na Europa (Foto: Getty Images)

Eu queria no meu time um veterano como o Sergio Ramos (risos). O torneio da Eurocopa é muito difícil. Só tem seleção forte, mas a Seleção Espanhola tem um grande grupo”.

Quais são os três favoritos ao título, na sua opinião?

“Espanha, Alemanha e França”.


Fonte: Goal.com

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