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Micale faz boas apostas e outras escolhas estranhas, mas Brasil tem time para conquistar o ouro

Treinador convocou a Seleção que vai lutar pela inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos; confira a análise

O Brasil finalmente conhece os jogadores que irão defender a Seleção na luta pela inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O técnico Rogério Micale anunciou a lista com os atletas convocados para o torneio na manhã desta quarta-feira (29), e a convocação tem algumas boas apostas, mas também algumas escolhas estranhas. De qualquer forma, o escrete canarinho tem time para brigar pelo título.

A convocação de Micale começou com duas escolhas importantes já entre os goleiros: Fernando Prass e Uilson. O treinador explicou a opção pelo arqueiro do Palmeiras com base no “perfil de liderança” do jogador, que “tem técnica, sabe a importância de vestir a camisa da Seleção Brasileira e quer ganhar sempre”.


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A escolha pelo ídolo do Palmeiras e do Vasco é acertada. Prass é ótimo goleiro, já merecia uma chance na Seleção há algum tempo, tem muita qualidade, vive ótima fase há alguns anos e, de fato, tem a experiência, a segurança e a liderança para comandar uma jovem defesa nos Jogos Olímpicos. A “aposta” de Micale no veterano arqueiro, na minha opinião, é excelente. No entanto, não digo o mesmo de Uilson. Tudo bem que o terceiro goleiro do Atlético-MG será reserva e acionado apenas caso uma hipótese ruim se torne realidade, mas a possibilidade existe, e o garoto não fez por merecer a oportunidade.

(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Micale conhece Uilson dos tempos em que trabalhou com o goleiro no Galo e tem a noção, como poucos, do tamanho do potencial do jovem. No entanto, ele não vinha sendo convocado pelo próprio treinador para a Seleção nos últimos meses, e quando teve a oportunidade, no início deste ano, no time profissional alvinegro com as lesões de Victor e Giovanni, não se saiu bem, ainda que em alguns jogos não tenha sido o único culpado pelos gols sofridos. Uilson tem potencial e é bom arqueiro, mas é estranha a sua convocação. Faria mais sentido e seria melhor ter convocado outro jovem e bom goleiro, que já vinha sendo chamado e é titular em sua equipe.

Na defesa, também ocorreram ótimas escolhas e outras contestáveis. Marquinhos e Douglas Santos são inquestionáveis. Ótimos jogadores, fazem parte das seleções de base há alguns anos e receberam oportunidades inclusive com a Amarelinha do time principal. O zagueiro do Paris Saint-Germain e o lateral-esquerdo do Atlético-MG serão titulares e são excelentes escolhas. Por outro lado, Fabinho, titular do Monaco, muito bom lateral-direito, que tem currículo semelhante ao dos companheiros e era tido como presença certa na lista, ficou de fora. Não sou grande fã dos outros nomes convocados para a defesa, mas todos são bons jogadores. Nenhum é ruim e não poderia estar convocado. No entanto, não concordo com a ausência de Fabinho.

(Foto: Miguel Schinchariol/AFP/Getty)

Já no meio-campo e ataque, Micale foi praticamente perfeito. Thiago Maia e Rodrigo Dourado são bons nomes, enquanto Rafinha, Felipe Anderson, Gabigol, Gabriel Jesus e Luan são excelentes jogadores e dispensam apresentações, assim como Neymar e Douglas Costa, que completam a cota de três jogadores acima dos 23 anos. O craque do Barcelona será a grande referência da Seleção, enquanto o excelente meia do Bayern de Munique é mais uma ótima arma ofensiva, que torna o setor brasileiro ainda mais poderoso. Micale, por sinal, se saiu bem na entrevista coletiva após anunciar os convocados, exaltando a qualidade inquestionável do camisa 11 dos Blaugranas, mas sem garantir que o número 10 da Seleção principal será, necessariamente, o capitão do time olímpico. Ele vai conhecer os três convocados acima dos 23 antes de definir quem vai usar a braçadeira.

​(Foto: Getty Images)

A única ressalva que tenho é em relação a convocação de Fred, do Shakhtar Donetsk, que não joga desde dezembro, suspenso por doping. Andreas Pereira, do Manchester United, tem qualidade técnica, habilidade, visão de jogo e passe muito superiores ao do atleta que defendeu o Brasil na Copa América 2015, e foi bem sob o comando do próprio Micale no Mundial sub-20 no ano passado e nos últimos amistosos nos quais defendeu a seleção olímpica. Ele deveria ter sido convocado. Na minha opinião, esse foi o grande erro de Micale na lista para os Jogos Olímpicos.

De qualquer forma, o Brasil tem uma equipe muito boa, apesar de discordar em alguns pontos já comentados na convocação. Prass é ótimo goleiro e muito seguro; a defesa já tem experiência e bons jogadores, alguns de excelente nível; e o meio-campo e o ataque serão fenomenais e de enorme talento. Além disso, Micale, que é referência no futebol de base no Brasil e já há alguns anos se destaca, tem feito um excelente trabalho na Seleção.

(Foto: Hannah Peters/Getty Images)

Ele assumiu o time sub-20 em 2015, encarando um enorme desafio, substituindo Alexandre Gallo, que acumulou vários atritos com dirigentes da CBF, às vésperas do Mundial da categoria. O Brasil já estava convocado e não tinha alguns jogadores importantes como Gerson (Fluminense), Gabriel (Santos), Nathan (Vitesse-HOL) e Thalles (Vasco). Ainda assim, o treinador fez um trabalho brilhante e levou o escrete canarinho até a decisão do torneio, quando foi derrotado na prorrogação pela Sérvia, por 2 a 1.

Micale fez a equipe evoluir de forma espantosa. O Brasil não ficou com o título, mas deu orgulho. Jogou um futebol bonito, ofensivo, com qualidade técnica e tática, coletiva e individual, e com os garotos demonstrando enorme vontade em defender a Amarelinha. Basicamente tudo que não vemos na equipe principal. Para se ter noção, a Seleção de Gallo, no Sul-americano sub-20, tinha média de 51,2% de posse de bola e 11,1 chutes ao gol por jogo. Com Micale, o time, no Mundial da categoria, saltou para 62,1% e 20,3, respectivamente, nas duas estatísticas.

(Foto: Getty Images)

Depois do torneio disputado na Nova Zelândia, o treinador manteve o padrão e a evolução, e também trouxe os grandes destaques estrangeiros e nacionais para a equipe. Rafinha Alcântara (Barcelona), Felipe Anderson (Lazio), Gabriel (Santos), Gabriel Jesus (Palmeiras) e Luan (Grêmio) são alguns exemplos de jogadores de enorme talento que se firmaram com Micale no time olímpico e vão defender o Brasil no Rio de Janeiro.

O futebol ofensivo e vistoso, muito agradável de se ver, a vontade dos garotos de vestir a Amarelinha e a qualidade técnica e individual dos atletas aliada ao jogo coletivo e ao esquema tático bem armados por Micale seguiram aparecendo nos amistosos e jogos disputados depois do Mundial sub-20. O trabalho é excelente, e o treinador merece não só os elogios, mas também a chance de comandar o Brasil no sonho de enfim conquistar o ouro olímpico, e logo em casa. A tarefa será difícil, já que o escrete canarinho terá rivais difíceis – não na fase de grupos, onde deverá avançar sem muitos problemas no grupo que tem Dinamarca, Iraque e África do Sul -, como as favoritas Alemanha e Argentina, além de outras boas equipes, no entanto, por mais que os motivos tenham sido os errados, a justiça foi feita, e Micale, merecidamente, comandará um time que tem muito talento e tudo para orgulhar o brasileiro no Rio de Janeiro. Quem sabe, obtendo a sonhada conquista inédita.


Fonte: Goal.com

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