'Momento único na vida', diz comandante que cantou Luiz Gonzaga com a tocha

A vida dele andar por este pas, desde 3 de maio, para ver se em 5 de agosto descansa feliz.

Guardando as recordaes das terras onde passou, o tenente-coronel Francisco Cantarelli, 39, comanda a operao de segurana aproximada da tocha olmpica.

Das terras onde passou, andando pelos sertes e dos amigos que l deixou, ele guarda como momento mais emocionante o dia 30 de maio, em Caruaru (Pernambuco).

“Chuva e sol, poeira e carvo”, cantou o pernambucano nascido em Floresta, mas que ali em Caruaru havia comeado a carreira como oficial do Corpo de Bombeiros em 1998. Quando soube que seria um dos condutores da tocha olmpica, escolheu a cidade para percorrer seus 200 metros do revezamento. Nos cerca de 1min30 que esteve com a chama olmpica, ele e uma dezena de outros homens da Fora Nacional de Segurana cantaram “Vida de Viajante”, de Luiz Gonzaga, emocionaram o pas e fizeram fama nas redes sociais.

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“No houve planejamento. De onde surgiu: na parte terrestre pegamos muito tempo de estrada. A cio criativo, e puxar uma cano para passar o tempo um desses momentos. ‘Vida do Viajante’ comeamos a cantar j dentro do nibus. Quando o primeiro homem do efetivo teve a oportunidade de correr com a tocha, comeamos a fomentar a ideia. Aconteceu outras vezes j. A a gente vislumbrou a situao em Caruaru. Sempre que um de ns estava correndo, agregvamos esse valor para o efetivo. como uma cano militar, para buscar energia onde o camarada no tem. Fazer com que aquela urea, alm das energias que o homem tem, venha tona para cumprir a misso com maior afinco”, afirma Cantarelli Folha, em Manaus (Amazonas).

Longe de casa, em Braslia (DF), foi, at agora, o momento mais tenso. “O primeiro dia sempre muito difcil. Braslia foi muito duro, logo no Eixo Monumental. Fizemos o planejamento de colocar 45 homens ali na proteo e, realmente, bateu com o que vinhamos pensando para resistir a certas manifestaes. Depois as coisas tenderam a diminuir”, explica o tenente-coronel.

Seguindo o roteiro, mais uma estao e a alegria no corao de j ter cumprido metade da misso que inclui 327 cidades de todos os Estados brasileiros e o Distrito Federal. “Com problemas gerenciveis at o momento”.

Mar e terra, inverno e vero, e o comboio que est no Norte do pas ainda passa pelo Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Mas so Rio de Janeiro e So Paulo que mais preocupam o efetivo de segurana que conta com um contingente de 70 oficiais como policiais militares, bombeiros, policiais civis e percia forense, com representantes de 26 Estados.

Alguns deles, como Cantarelli, j conduziram a tocha no revezamento. Muitas vezes so necessrias substituies porque um condutor no pode comparecer.

“Para mim foi muito emocionante conduzir em Caruaru por uma srie de fatores: estava ao lado da minha famlia, realizando o que foi planejado em um ano de trabalho. Fica impossvel no se emocionar numa situao como essa, observando que as coisas esto sendo concretizadas com aquilo que imaginou e esto no caminho certo, correto. No tinha como no vibrar no fundo da alma e escolher aquele momento como nico na vida”, diz, emocionado, o comandante que garante a segurana da chama olmpica.

“Mostre alegria”, diz outro trecho da cano de Luiz Gonzaga que os organizadores do revezamento sempre repetem para cada um dos 12 mil condutores antes de a chama chegar tocha. Cantarelli mostrou. E, para ele, no sero apenas alguns segundos correndo junto tocha, mas 95 dias protegendo o fogo olmpico, normalmente das 6h s 20h, em uma jornada que ele define como “gratificante mas cansativa”. “Cumpro a misso, que acaba dia 5 de agosto, e se Deus quiser sem constar alteraes”, conclui.

E a saudade no corao.

O jornalista MARCEL MERGUIZO viajou a Manaus a convite do Bradesco

William Lucas/Bradesco
O tenente-coronel Francisco Cantarelli segura lanterna com a chama ol
O tenente-coronel Francisco Cantarelli segura lanterna com a chama olmpica em barco no Rio Negro, em Manaus (Amazonas)

Fonte: Folha.com.br

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