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“Não há amizades, parentesco, qualidades nem grandezas que possam enfrentar o rigor da inveja.” (Miguel de Cervantes)

Com as grandes repercussões que um caso sobre o tema alcança, vale aqui trazer reflexões a respeito de mais um dos males que atinge o homem e o ambiente organizacional.

De autoria do neurocientista japonês Hidehiko Takahashi, do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, em Tóquio, o estudo "Quando a sua Conquista É a minha Dor e a sua Dor É a minha Conquista: Correlações Neurais da Inveja e do Shadenfreude foi publicado pela prestigiada revista cientifica americana Science. Por meio de ressonância magnética realizada em 19 voluntários (dez homens e nove mulheres), na faixa etária dos 20 anos, foi possível identificar onde os sentimentos são processados no cérebro. Ao sentir inveja, a região do córtex singulado anterior é ativada. O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física se processa. "A inveja é uma emoção dolorosa", afirma Takahashi. O shadenfreude, por sua vez, se estabelece no estriado ventral, exatamente onde se processa a sensação de prazer. "O invejoso fica realizado com a desgraça do invejado", diz o pesquisador. Durante a pesquisa, Takahashi induziu os voluntários a imaginarem um cenário que envolvia outros três personagens, do mesmo sexo, faixa etária e profissão que eles. Dois deles seriam, hipoteticamente, mais capazes e inteligentes.

Dessa comparação nasce a inveja, especialmente quando as pessoas são muito parecidas. Ou seja, é mais comum uma mulher se incomodar com outra, da mesma faixa etária e profissão, do que com alguém com características totalmente diferentes. "Trata-se de um sentimento caracterizado pela sensação de inferioridade", explica o neurocientista Takahashi. "Quando há essa sensação, é porque houve comparação e a pessoa perdeu."

Originária desde tempos antigos, a inveja é um dos pecados capitais que mais assusta. Sempre caminha ao lado da cobiça, um sentimento gerado pelo egocentrismo e pela soberba e que acompanha pessoas que disputam poder, riquezas e status. De fato, ninguém está livre da inveja, e quanto mais expostos estamos ou mais nos destacamos, maior também a probabilidade de despertar a inveja nos outros. Em outras palavras, quanto mais brilha no trabalho, mais vulnerável o profissional se torna. Na verdade, a competição faz parte da constituição humana, reforçada pelo sistema capitalista, estando presente em qualquer dimensão da vida, sobretudo, vista no ambiente de trabalho, porque nesse contexto é muito comum que as pessoas busquem destacar-se e mais ainda que os demais colegas para conseguir melhores oportunidades.

A luta é sim um movimento importante para todos os sujeitos que desejam sua emancipação, todavia, o que vemos, na verdade, é que a ambição vem sendo deformada pela inveja que pode matar. E em sendo a inveja uma questão milenar, por inveja Caim matou Abel!

A inveja mobiliza sentimentos destrutivos, daí as pessoas invejosas se ressentem pelo que o outro é e faz, pelo brilho que ele tem, pelos afetos que provoca e pelas coisas que possui. Normalmente, a insegurança interna é um dos principais fatores que despertam inveja no ambiente de trabalho, e o invejoso por não suportar o “brilho” do outro, revela uma competitividade distorcida e a faz exagerada, tornando-se até destrutiva. Afinal, muitas vezes, o invejoso não quer apenas conquistar o mesmo status do colega, mas “deseja” que ele não mais exista. Mais que isso, o invejoso está sempre olhando para seu alvo, diminuindo seu foco e produção diária.

Se a pessoa tem pares muito bons, deve buscar se aprimorar em suas atividades, e não invejar o sucesso alheio, pois, caso isso ocorra, ficará para trás rapidamente. Por isso, importante a recomendação para que, dependendo do nível de inveja, a pessoa procure ajuda psicológica para saber quais são seus conflitos internos. É tudo uma questão de autoconhecimento e segurança. Ou aqueles que se sintam notados por invejosos, compartilhem com profissionais suas inquietações com o objetivo de prevenir maiores consequências danosas para as partes envolvidas, e que possa interessar focar no trabalho, fazendo disto uma motivação para melhorar suas habilidades.

E recomenda-se que ao lidar com a inveja manter o profissionalismo: a) Não fale de sua vida íntima e de seus projetos pessoais, b) Evite fofoca e, ou se alguém fale mal de outro alguém para você, mantenha-se neutro, e c) Nunca saia dizendo para os colegas as conversas que teve com o chefe a respeito de seu trabalho, de seus objetivos na empresa e de seu futuro profissional.

E se a inveja pode até matar, mas antes adoece o coração e a mente humana, então e mesmo que seja bem difícil, viva com amor, atenção e carinho. O amor amansa o coração, a atenção transmite importância para o outro e o carinho auxilia na cura os maus pensamentos humanos.

Pense nisso!

Saúde e Paz!


 

 

Ma. Cristiane Souza

Psicóloga/ Leader Coach / Doutoranda em Linguística (UFAL)

Sócia Diretora Ânima Consultoras Associadas

Consultora Credenciada SEBRAE/MAC

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