Noiva que sofreu tentativa de homicídio fala sobre trauma

Passados sete anos da tentativa de homicídio que sofreu no dia do seu casamento, a pedagoga Kênia Freitas, de 32 anos, ainda tenta se recuperar do trauma de ter sido evenenada pela mulher que contratou para fazer a festa e que decidiu matá-la por não ter condições de realizar o bufê. “Faço terapia até hoje por isso. Você não tem noção de como é viver sabendo que uma pessoa tentou tirar a sua vida por um motivo banal”, lamenta a vítima.

 

Kênia resistiu ao veneno e o casamento aconteceu com bufê precário, em 10 de janeiro de 2009. Nesta semana, uma decisão da Justiça reacendeu as lembranças do dia sonhado pela pedagoga como um dos mais felizes da sua vida, mas que acabou virando um pesadelo. A Justiça condenou a ex-funcionária de um bufê de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a pagar R$ 100 mil de indenização a Kênia. A acusada foi condenada a 10 anos de prisão por tentativa de homicídio, recorreu da sentença e a pena foi reduzida para seis anos. Atualmente, ela está presa em regime semiaberto.

“A minha história está tendo desdobramento até hoje. Não é fácil. Difícil esquecer. Continuo casada e hoje temos um filho de 2 anos, mas a história sempre vem à tona, como agora, mesmo que seja por Justiça. Abre de novo uma ferida que nunca se fechou”, lamenta a pedagoga. Ele conta que escuta as pessoas nas ruas comentando o seu caso, sem imaginar que foi ela a vítima. “Contam uma história mirabolante e a história é comigo. Várias vezes isso aconteceu”, disse Kênia, que compara o que viveu a um drama de novela.

A pedagoga conta que ela é a única filha dos seus pais, que tem um irmão, e que a sua cerimônia de casamento foi idealizada por toda a família. “Quando chegou o dia, que foi tão sonhado, planejado e organizado, uma pessoa atravessou a nossa história e destruiu um sonho. Eu pensei nos mínimos detalhes, planejei um dia inesquecível para os meus pais e os pais do meu noivo e aconteceu uma situação trágica como essa”, disse a pedagoga.

Kênia disse não ter nenhum sentimento ruim em relação à mulher que tentou matá-la. “Peço a Deus por ela. É uma pessoa carente de Deus. O sentimento de ódio não faz bem a ninguém, mas quero que a Justiça seja feita, como tem sido feita”, disse ela. “Minha família é toda cristã e costuma falar que a igreja preparada para o meu casamento poderia ter sido para o meu velório”, completa.

Kênia conta que seu casamento foi planejado com muita antecedência e que tudo foi pago antes para que ela se sentisse tranquila quando chegasse o dia, sem se preocupar com dívidas. “Eu participei do dia da noiva que eu contratei e a pessoa que foi contratada para organizar a festa de casamento apareceu lá com os buquês das damas e o meu. Ela me ofereceu um copo de isotônico, com a desculpa de que as noivas ficam muito nervosas no dia do casamento e ficam desidratadas. Ela me serviu a bebida e eu compartilhei com a moça que fazia as minhas unhas e a que arrumava o meu cabelo. Na verdade, eu não gostava muito da bebida. Cada uma tomou um pouco. Eu passei mal e as outras duas pessoas passaram mal com os mesmos sintomas que eu, enjoo, tontura e ânsia de desmaio. Por isso, eu fiquei desconfiada”, conta a pedagoga.

Uma das moças, segundo ela, teve convulsão. O caso foi levado à polícia e as vítimas foram submetidas a exames, assim como a bebida, que tinha uma substância denominada carbofuram, usada como veneno para ratos.


Fonte: Diário de Pernambuco

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