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Nunca aconteceu nada parecido, diz historiador de grupo de estudos do COI sobre calamidade pública

Nunca um Estado recebeu uma Olimpíada, de inverno ou de verão, em estado de calamidade pública, diz o professor Lamartino da Costa, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Membro de um grupo de pesquisas financiado pelo Comitê Olímpico Internacional, ele afirma que a situação é “inacreditável” e “incompreensível”.

Por meio de um decreto, o Estado do Rio de Janeiro se declarou em “calamidade pública”, na tarde desta sexta-feira (17). A medida, acordada com o presidente interino Michel Temer, desbloqueia a liberação de recursos federais para o Estado. O Rio estava impedido de receber dinheiro do governo após um calote na Agência Francesa de Desenvolvimento, em maio.

Se para o Comitê Rio-16 a notícia não “afeta em nada”, para o pesquisador haverá uma repercussão muito negativa no exterior.

“Isso vai pegar muito mal. É muito muito estranho. Nunca aconteceu nada parecido com isso. É até ilógico que um Estado nessa situação receba uma Olimpíada”, afirmou Lamartino da Costa, em entrevista à Folha.

Com seus estudos na memória, o professor se recordou de suas situações complicadas de cidades que receberam Jogos Olímpicos. Uma foi Sarajevo, na antiga Iugoslávia, em 1984, e Turim, em 2006 –ambas de Inverno.

“Sarajevo recebeu os Jogos em estado de guerra. Mas os dois lados aceitaram parar enquanto a competição acontecia. Existia um receio antes de começar”, disse.

“Em Turim, houve um impasse político, que quase ameaçou os Jogos. O presidente da Itália tinha que abrir os Jogos, e o pessoal da Lombardia não admitia isso por nada. No final, também deu tudo certo”, completou.

Segundo o pesquisador, o decreto tem de ser tratado com “ironia”, de tão “criativo” que ele é.


Fonte: Folha.com.br

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