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O dérbi do ataque

Pergunte a Cuca qual o melhor time em que jogou e a resposta será o Grêmio Show! Era o apelido da equipe dirigida por Otacílio Gonçalves na campanha do tetracampeonato gaúcho em 1988. O meio-campo tinha Bonamigo, Cristóvão, Cuca e Valdo. Tirando o primeiro volante, só jogadores criativos.

Tite foi responsável pela construção de outro Grêmio brilhante, na Copa do Brasil de 2001. O escritor Eduardo Bueno, o Peninha, sempre preferiu a escola gaúcha a ferro e fogo: “Futebol arte, como todo mundo sabe, é coisa de viado”, escreveu. Peninha odiava o Grêmio de Tite.

Tem gosto para tudo.

Cuca e Tite dirigirão Palmeiras x Corinthians hoje, contraponto da dupla Grenal no Brasileirão do equilíbrio. Foram cinco líderes diferentes nas seis primeiras rodadas. Palmeiras, Grêmio, Inter e Corinthians lideraram uma vez cada um.

Alguns colorados reclamam do estilo de jogo do Internacional de Argel Fucks. Grêmio, Corinthians e Palmeiras são diferentes. Cada um a seu estilo e no seu tempo de trabalho tentam o gol sempre. Cuca paga mais o preço do início de trabalho. O Palmeiras é irregular, mas teve momentos brilhantes, como o segundo tempo contra o Grêmio.

Desde a finalíssima de 1994, não acontecia de Palmeiras e Corinthians começarem uma rodada de dérbi com chance terminá-la na liderança. Cuca e Tite beberam nas melhores fontes gaúchas. Querem competitividade, mas com o máximo possível de beleza –desculpa aí, Peninha…

Daí a promessa de um clássico espetacular, como foi o 3 a 3 do segundo turno do Brasileirão do ano passado.

Daquela vez, o Corinthians era o líder e o Palmeiras o sexto colocado, quinze pontos atrás.

Jogar bem e bonito pode ser tão estratégico para o fortalecimento da marca quanto os títulos. Os casos mais famosos de clubes globais tiveram projetos exatamente assim. Silvio Berlusconi comprou o Milan e definiu que seu estilo deveria ser espetacular para conseguir torcedores em todo o planeta. O Barcelona de Joan Laporta fez o mesmo.

Berlusconi foi buscar Arrigo Sacchi no Parma, Laporta encontrou Guardiola no quintal. Ser o time mais espetacular do planeta rendeu muito dinheiro ao Milan. Atualmente, 20% do público no Camp Nou é de turistas, sedentos por ver o Barça, seu estádio e seu estilo.

O Corinthians tem hoje seu jeito de jogar. Mantém sua filosofia com Mano Menezes e Tite, sutis diferenças táticas, desde 2008. O Palmeiras, não. Muda de acordo com o treinador, como acontece em quase todos os times do Brasil.

Cuca pode ajeitar isso. Na primeira passagem de Filpo Nuñez pelo Palmeiras, campeão do Rio-São Paulo de 1965, nasceu a Academia. Na última, em 1978, insinuou-se o apelido de Ciclone.

Este último assemelha-se mais ao jeito do Palmeiras de Cuca. Recuperação de bola no campo de ataque e rapidez para definir as jogadas.

Tite está confirmado. A torcida o adora quase todos os dias –a exceção é quando perde. Gosta de posse de bola, sem abusos. Está mais para Carlo Ancelotti do que para Guardiola.

Para sedimentar seu estilo, Cuca ainda precisa de mais tempo, artigo de luxo num clube em que só foram campeões três treinadores nos últimos quarenta anos –Luxemburgo, Felipão e Marcelo Oliveira.


Fonte: Folha.com.br

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