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O dia em que Messi pôde defender a Espanha e preferiu a Argentina

No dia 29 de junho de 2004, Lionel Messi estreou com a seleção Sub-20 da Argentina em amistoso contra o Paraguai, no estádio Diego Armando Maradona, casa do Argentinos Juniors, em Buenos Aires.

‘La Pulga’, que acabava de completar 17 anos, entrou aos 22 do segundo tempo, usando a camisa 17. Aos 36, deixou para trás dois zagueiros paraguaios, driblou o goleiro e marcou um dos gols da vitória por 8 a 0 da sua equipe.

Um gol muito comemorado pelos dirigentes da Associação do Futebol Argentino (AFA), que por muito pouco não perdeu a oportunidade de ter o craque jogando pela ‘Alviceleste’.

A entidade sequer estava sabendo que um garoto argentino estava arrebentando nas categorias de base do Barcelona desde os 13 anos de idade. Enquanto isso, a Espanha tentava de tudo para convencê-lo a jogar pela ‘Rojita’.

Apesar do assédio, Messi preferiu esperar ser chamado pelo seu país, que deixou aos 13 anos para integrar as categorias de base do clube catalão.

Ele poderia ter defendido a Espanha no Mundial Sub-17 em 2003, na Finlândia, ao lado do companheiro Cesc Fábregas, que amargou o vice-campeonato ao perder a final por 1 a 0 para o Brasil.

Mas enquanto era clara sua preferência pela Argentina, o craque continuava sendo ignorado por Hugo Tocalli, então técnico das seleções de base da ‘Alviceleste’, que também disputou aquele Mundial, terminando em terceiro lugar, perdendo justamente para a Espanha na semifinal.

A MÃO DE BIELSA

Depois desse episódio, Jorge Messi, pai do atleta, aproveitou uma visita a Barcelona de Marcelo Bielsa, então técnico da seleção principal da Argentina, para falar sobre o talento do filho, que continuava sendo assediado pela Federação Espanhola.

Natural de cidade de Rosario, como a família Messi, ‘El Loco’ pediu vídeos de ‘La Pulga’ e os repassou para treinadores da base.

A espera acabou em junho de 2004, com a goleada sobre o Paraguai que recompensou a paciência do craque.

A Espanha lamentou muito essa decisão no ano seguinte, no Mundial Sub-20 da Holanda.

A ‘Rojita’, com jogadores como Cesc Fábregas, David Silva, Raúl Albiol, Juanfran Torres e Fernando Llorente, era a grande favorita ao título. Na primeira fase, ostentou 100% de aproveitamento, com 13 gols marcados e apenas um sofrido.

Já a Argentina, com Messi, Kun Agüero, Pablo Zabaleta, Lucas Biglia, Ezequiel Garay e Fernando Gago, terminou num decepcionante segundo lugar de sua chave, atrás dos Estados Unidos.

Nas oitavas de final, os ‘Hermanos’ tiveram muita dificuldade para eliminar a Colômbia (2-1), enquanto a Espanha passeou novamente, atropelando a Turquia por 3 a 0.

Nas quartas, porém, a Argentina surpreendeu os espanhóis, com vitória por 3 a 1 e um gol de Messi.

No total, a joia do Barcelona balançou as redes seis vezes no torneio, do qual acabou artilheiro, além de ter sido eleito melhor jogador.

Na final, marcou dois gols de pênaltis na vitória por 2 a 1 sobre a Nigéria.

Foi um dos dois únicos títulos que Messi conquistou com a camisa de seu país, junto com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, disputados com a seleção Sub-23.

Com a seleção principal, porém, ‘La Pulga’ não levantou um troféu sequer. Foi três vezes vice-campeão da Copa América (2007, 2015 e 2016 ) e também perdeu a final da Copa do Mundo no Brasil (derrota por 1 a 0 para a Alemanha na prorrogação).

AMOR PELAS CORES

“Houve contatos informais com a seleção espanhola para que eu jogue com eles, mas sempre disse que queria jogar pelo meu país porque amo meu país e só me sinto à vontade com as cores da minha seleção”, revelou o craque em 2014.

“A Argentina é meu país. Me perguntaram porque nunca perdi meu sotaque apesar de viver tanto tempo na Espanha, mas fiz isso porque não quero perder nenhuma identificação com minha pátria”, enfatizou.

O técnico atual da seleção espanhola, Vicente del Bosque, também confirmou as investidas para convencer Messi de defender a ‘Roja’.

“Houve uma tentativa, mas ele e sua família decidiram representar a Argentina, ele se manteve firme na sua determinação”, lembrou.

“Nunca teria escolhido a Espanha porque sou argentino. É verdade que sou bem tratado na Espanha, passei quase mais tempo da minha vida morando em Barcelona do que na Argentina. Isso mexe com o coração, mas as cores não mudam”, afirmou.

No domingo, Messi chocou o mundo ao afirmar que não defenderá mais a seleção argentina, depois de perder a final da Copa América do Centenário para o Chile ao isolar sua cobrança na disputa de pênaltis.

Na seleção espanhola, ele poderia ter jogado ao lado doS companheiros de Barça Xavi e Iniesta, que se sagraram bicampeões europeus em 2008 e 2012, além de conquistar a Copa do Mundo de 2010.

Mas o cinco vezes melhor do mundo sempre colocou a Argentina em primeiro lugar. “Trocaria todos os meus recordes por um título para deixar feliz as pessoas do meu país”, afirmou.

Muito criticado por não repetir com a ‘Alviceleste’ o nível de desempenho do Barça, Messi começou a ver o jogo virar justamente quando decidiu encerrar sua trajetória na seleção, com a campanha “#NotevayasLeo iniciada no Twitter para convencê-lo a voltar atrás da sua decisão.


Fonte: Folha.com.br

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