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O Mundo é Uma Bola: Astros do Real Madrid esquentam a Eurocopa com estocadas e provocações

A Eurocopa da França está quente, não só pela proximidade do verão no velho continente. A competição tem sido marcada neste início por jogos bastante corridos e disputados – fora dos gramados, lamentavelmente, ocorrências policiais têm concorrido com as notícias boleiras.

Restrinjo meu foco às disputas entre as seleções. E mais especificamente disputas entre um único jogador de uma seleção contra uma seleção inteira.

Cristiano Ronaldo, de 31 anos, e Gareth Bale, de 26 anos, os dois jogadores mais caros do mundo, companheiros no poderoso Real Madrid, decidiram soltar o verbo contra a surpreendente Islândia e a tradicionalíssima Inglaterra, respectivamente.

Do português, já era de se esperar uma polêmica; do galês, não.

Frustrado com o empate por 1 a 1 de sua seleção, que detinha o favoritismo contra a Islândia, CR7 não cumprimentou os jogadores rivais após a partida, algo comum entre os futebolistas.

“Nós tentamos ganhar o jogo. Os islandeses não tentaram nada e tiveram uma noite de sorte. Eles só defenderam, defenderam e defenderam. Isso mostra que eles pensam pequeno, e assim não vão conseguir nada na competição”, disse o capitão de Portugal.

“Pensei que tivessem ganhado a Eurocopa pelo jeito como comemoraram no fim do jogo”, cutucou o três vezes melhor do mundo (2008, 2013 e 2014).

Os islandeses saíram atrás (gol de Nani no primeiro tempo), mantiveram a posse de bola por apenas 34% do tempo, finalizaram apenas quatro vezes (contra 27 dos lusos), mas conseguiram empatar (Bjarnason, no segundo tempo). Contra-atacaram em campo e contra-atacaram Cristiano Ronaldo, entre declarações ácidas e irônicas.

“Esse é o nosso jeito de jogar, mesmo que irrite Cristiano Ronaldo”, afirmou o goleiro Halldórsson. “Ele está irritado porque não conseguiu vencer a Islândia, que tem somente 330 mil (habitantes).”

Estreante em Eurocopas, a Islândia é o país com a menor população a participar da principal competição europeia de nações. Portugal tem aproximadamente 10,5 milhões de habitantes.

O sueco Lars Lagerbäck, que divide o comando técnico da Islândia com o islandês Heimir Hallgrímsson, foi sucinto: “É simples: eles têm que jogar melhor se querem superar a Islândia”.

Cristiano Ronaldo durante a partida de Portugal contra a Islândia, em Saint-Etienne (Jean-Philippe Ksiazek - 14.jun.2016/AFP)

Cristiano Ronaldo durante a partida de Portugal contra a Islândia, em Saint-Etienne (Jean-Philippe Ksiazek – 14.jun.2016/AFP)

Já Bale, geralmente discreto e avesso a polêmicas, externou seu ímpeto nacionalista e soltou o verbo antes do duelo com os ingleses, nesta quinta (16), em Lens, às 10 horas (de Brasília).

O confronto entre Inglaterra e País de Gales, que disputa sua primeira Eurocopa e seu primeiro torneio relevante desde a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, é um dos mais esperados da competição. Ambos os países integram o Reino Unido, o que não diminui a rivalidade, pelo contrário.

Bale acirrou os ânimos ao afirmar que os galeses têm mais paixão e orgulho do que os ingleses. “E definitivamente vamos mostrar isso no dia do jogo.”

A declaração não passou incólume. A primeira reação veio do treinador do English Team, Roy Hodgson: “Ser alvo de comentários desrespeitosos faz parte do futebol. Mas eu não tenho dúvida do nosso patriotismo e da nossa vontade”.

“Sabemos que Gales não gosta de nós”, declarou o meia Jack Wilshere, do Arsenal, que salientou também não morrer de amores pelos galeses.

Sobre a declaração de Bale, ele foi enfático: “Se há uma coisa neste time que ninguém pode questionar é o orgulho e a paixão. Estamos representando nosso país e todos amam a Inglaterra”.

Ao saber da reação dos ingleses, Bale afirmou, categórico: “Para ser honesto, não estou nem aí”.

Para completar, questionado sobre quais jogadores ingleses seriam bons o suficiente para vestir o uniforme galês, decretou, sorrindo: “Nenhum”.

Antes mesmo desse clima de animosidade criado por Bale, Inglaterra x País de Gales já vinha sendo chamado de “A Batalha da Grã-Bretanha”.

Agora, como será que os grandalhões defensores ingleses (Cahill, Smalling e Dier), todos com DNA brucutu, tratarão a estrela galesa? Até mesmo Rooney, o capitão e craque da Inglaterra, não é de amaciar na marcação. Bale estará, sim, visado. Será o centro das atenções. Não haverá gentilezas.

Além disso, como os galeses ganharam na estreia (2 a 1 da Eslováquia, com um gol de Bale) e os ingleses amargaram um empate (1 a 1 com a Rússia), o duelo ganhou contornos decisivos, com a Inglaterra não sendo vista mais com tanto favoritismo – e, se derrotada, passa a correr risco de não avançar para os mata-matas.

Será um jogo histórico, aposto. Uma verdadeira batalha britânica. Imperdível.

Gareth Bale festeja a vitória por 2 a 1 do País de Gales sobre a Eslováquia (Mehdi Fedouach - 11.jun.2016/AFP)

Gareth Bale festeja a vitória por 2 a 1 do País de Gales sobre a Eslováquia, em Bordeaux (Mehdi Fedouach – 11.jun.2016/AFP)

Em tempo: Será um exagero de ambas as partes esse papo de paixão, orgulho e amor? Não sei. O que sei é que é raríssimo um jogador brasileiro ter esse discurso. O zagueiro David Luiz, durante a Copa do Mundo de 2014, foi uma exceção. No Brasil, quando o assunto é seleção brasileira, parece que o patriotismo está em baixa. E sem perspectiva de ser resgatado.


Fonte: Folha.com.br

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