O Mundo é Uma Bola: Messi responde a Maradona com três gols em 19 minutos

Um dos destaques do mundo da bola nesta semana foi o encontro entre Pelé e Maradona em Paris, em um evento promocional da Eurocopa.

Considerados por muitos os dois maiores craques da história (inclusive por mim), eles trocaram gentilezas e selaram a paz mais uma vez, já que há desde sempre grande rivalidade entre o brasileiro e o argentino, basicamente por El Pibe de Oro não aceitar ter sido menos espetacular que o Rei do Futebol.

Porém, mesmo em um clima bastante amistoso, Maradona não deixou de polemizar. Os microfones captaram uma conversa reservada na qual Pelé perguntou a Maradona se conhecia Messi, a quem imaginava ser “uma boa pessoa”, pessoalmente.

“Conheço, e ele é sim uma pessoa muito boa”, respondeu Dom Diego, emendando: “Mas não tem personalidade. Não tem personalidade para ser um líder”.

A declaração rodou o mundo e, logicamente, chegou à concentração da seleção argentina nos EUA, onde é disputada a Copa América Centenário. Foi na quinta (9), véspera do início da Eurocopa e véspera do segundo jogo dos argentinos na competição americana, contra o Panamá.

O treinador da Argentina, Gerardo “Tata” Martino, ao falar sobre o assunto, defendeu Messi, citando também outro titular de sua equipe, o volante Mascherano. “Mascherano tem mais liderança sobre o grupo. A liderança de Messi é futebolística.”

Martino está certo. Messi, reconhecidamente um jogador de poucas palavras, não precisa soltar o verbo para liderar. Maradona, gênio em campo como Messi, era falastrão dentro e fora das quatro linhas. Tinha de fato uma personalidade mais forte.

Messi não precisa disso. O que ele joga basta para ser admirado e respeitado por seus companheiros.

A resposta a Maradona veio silenciosa, bem ao estilo do astro do Barcelona, eleito cinco vezes o melhor do mundo nos últimos sete anos.

Mesmo recuperado de uma lesão que o afastou da partida de estreia, diante do Chile, Messi começou na reserva contra o Panamá. Entrou em campo aos 16 minutos do segundo tempo. A Argentina ganhava apertado, por 1 a 0.

Primeiro, o reconhecimento: quando Messi entrou, Mascherano, que capitaneava o time, entregou a tarja ao companheiro.

Depois, o espetáculo, em quatro atos.

23 minutos. A zaga do Panamá tenta afastar a bola, que bate no rosto de Higuaín e sobra para Messi, na grande área, chutar sem chance para o goleiro Penedo. 2 a 0.

33 minutos. Falta nas proximidades da área panamenha. Messi cobra colocado, encobrindo a barreira, e a bola para no ângulo de Penedo. 3 a 0.

42 minutos. Rojo domina a bola na intermediária e lança Messi, que invade a área, dá um drible desconcertante em Baloy, o capitão do Panamá, e chuta no canto de Penedo. 4 a 0.

Messi, com visual diferente (de barba),  festeja gol em Chicago, onde a Argentina derrotou o Panamá (Omar Torres - 10.jun.2016/AFP)

Lionel Messi, com visual diferente (de barba), comemora gol em Chicago, onde a Argentina derrotou o Panamá (Omar Torres – 10.jun.2016/AFP)

Em 19 minutos, Messi transformou uma partida em que a Argentina podia se complicar em uma goleada, um passeio, uma moleza.

Ainda houve tempo para o ato final: aos 45 minutos, pegou a bola pouco depois do meio-campo e fez um lançamento perfeito de 40 metros para Rojo, que, na área, ajeitou de cabeça para Agüero fechar o placar.

Resumindo: se isso não é liderar um time, não sei o que é liderar.

Maradona, como Messi, vestia a camisa 10, era o capitão da seleção argentina e tinha uma canhota invejável.

Ele pode dizer com razão que falta a Messi ganhar uma Copa do Mundo, feito que ele obteve no México, em 1986, jogando demais – foi magnífico o que Maradona fez naquela Copa.

Falta mesmo um título de Copa do Mundo para Messi ser glorificado como deve – assim como lhe falta um título de Copa América, que pode ser conquistado neste mês, pois a Argentina é favorita.

Mas Maradona afirmar que o compatriota não tem personalidade para liderar soa como injustiça.

Pois é fato: sob a fenomenal liderança futebolística de Messi o Barcelona levantou troféu após troféu a partir da segunda metade da década passada.

Messi fala com os pés. Sem parar.


Fonte: Folha.com.br

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