O Mundo é Uma Bola: Os caras de Dunga – O que esperar na Copa América dos EUA

O técnico Dunga em treino da seleção brasileira em Los Angeles (Lucas Figueiredo - 1º.jun.2016/MowaPress)

O técnico Dunga em treino da seleção brasileira em Los Angeles (Lucas Figueiredo – 1º.jun.2016/MowaPress)

A Copa América Centenário, nos EUA, começa nesta sexta (3), e o Brasil estreia um dia depois, contra o Equador, no estádio Rose Bowl, em Pasadena (Califórnia). A partida será às 23 horas (de Brasília). Em seu grupo, a seleção de Dunga ainda terá pela frente o Haiti, na quarta (8), e o Peru, no outro domingo (12).

Para a competição que pode definir sua continuidade ou não no comando do time, o treinador perdeu cinco jogadores, todos por lesão: o goleiro Ederson (Benfica), os meias-atacantes Douglas Costa (Bayern), Rafinha (Barcelona) e Kaká (Orlando City) e o atacante Ricardo Oliveira (Santos).

Desses, Ricardo Oliveira e Douglas Costa seriam titulares. Rafinha teria chance de entrar durante as partidas, assim como Kaká, e Ederson apenas esquentaria o banco.

Kaká, que atuou no segundo tempo na vitória por 2 a 0 contra o frágil Panamá, em amistoso em Denver no domingo (29), não estava na relação final de Dunga para a Copa América. Foi chamado para o lugar de Douglas Costa, mas não durou. Sentiu dores musculares e foi cortado nesta quarta (1º). O meia Ganso, do São Paulo, será o seu substituto.

Os escolhidos para os lugares dos demais contundidos foram o goleiro Marcelo Grohe (Grêmio), o meia-atacante Lucas Moura (PSG) e o atacante Jonas (Benfica).

Diante dos panamenhos, o experiente Jonas (32 anos), artilheiro do Benfica, aproveitou bem a oportunidade e marcou um gol, o primeiro do Brasil. O outro foi do jovem Gabriel (19 anos), o Gabigol, do Santos.

O Equador, rival da estreia, é o adversário mais forte do Brasil na chave. Está em segundo lugar nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia-2018 (o Brasil é apenas o sexto, fora da zona de classificação) e liderava o classificatório até que, na última rodada dupla, tropeçou em casa (2 a 2 com o Paraguai) e perdeu fora (3 a 1 para a Colômbia).

Assim, nessa partida Dunga não poderá se dar ao luxo de fazer muitos testes. Precisa da vitória para ter mais tranquilidade diante do modestíssimo Haiti e de um Peru que é hoje bem inferior ao Brasil, tanto que nas eliminatórias perdeu de 3 a 0, em Salvador, em novembro passado.

Sem Neymar, que não foi liberado pelo Barcelona para jogar Copa América e Olimpíada (atuará só nos Jogos do Rio, em agosto), Douglas Costa é uma perda significativa para Dunga. Era o jogador mais competente do elenco brasileiro para atuar pelas pontas.

O ataque deve ter Willian (Chelsea) pela direita, Jonas centralizado e Philippe Coutinho pela esquerda. Será uma tremenda chance para o talentoso jogador do Liverpool se firmar na seleção – teve pouca chance de jogar com a camisa amarela nos últimos meses.

Torço para Coutinho se apresentar bem, pois é um dos poucos jogadores desta seleção que chutam bem de fora da área. O outro com essa competência é Hulk (Zenit), dono de um petardo (algumas vezes sem direção), que atualmente é reserva.

E o chute de média e longa distância é munição importante contra equipes fechadas, que marcam muito forte e não permitem com frequência ao adversário entrar na área.

Bom finalizador, ágil e objetivo, Gabigol será a primeira opção de Dunga se precisar mexer no ataque, especialmente no caso de Jonas não estar jogando bem. Lucas Moura só entrará se William estiver muito cansado ou apagado. Caso Coutinho não renda, Hulk deve ir a campo.

(Abro aqui um parênteses. Diferentemente de Douglas Costa, cujo espaço na seleção parece consolidado, o veterano Ricardo Oliveira, de 36 anos, que tem sido importante na decepcionante campanha do Brasil nas eliminatórias, corre risco de perder espaço com Dunga. Basta Jonas fazer uma bela Copa América para se tornar o preferido do treinador em convocações futuras.)

O meio-campo terá, no papel, três homens. Campeão europeu com o Real Madrid, Casemiro é mais jogador que o lento e cintura dura Luiz Gustavo, só que este último é homem de confiança de Dunga e deve ser titular, como primeiro volante. Elias (Corinthians) será o segundo volante.

A terceira vaga é de Renato Augusto (Beijing Guoan, da China). Lucas Lima (Santos) é mais rápido e criativo que o ex-corintiano, que por sua vez é mais alto e tem toque de bola mais refinado. O perfil de Ganso se assemelha ao de Renato Augusto, com a diferença de ter uma visão de jogo mais privilegiada e de ser canhoto.

No gol, joga Alisson. Dunga aposta tudo no goleiro do Internacional, em quem eu não deposito muita confiança. Marcelo Grohe, entre os três à disposição do treinador, é meu preferido – passa mais segurança. Porém, assim como Diego Alves (Valencia), Grohe será reserva.

A defesa terá a experiência de Daniel Alves, campeão espanhol e da Copa do Rei pelo Barcelona nesta temporada, na lateral direita. Eficiente no apoio, ele com alguma frequência se atrapalha na marcação. Filipe Luís (Atlético de Madri), decente na marcação e mediano no apoio, é o lateral esquerdo – Marcelo, o melhor do Brasil na posição, não foi convocado.

Os laterais Fabinho (Monaco) e Douglas Santos (Atlético-MG) apenas baterão palmas, assim como os zagueiros Marquinhos (PSG) e Rodrigo Caio (São Paulo).

Miranda (Inter de Milão), o capitão de Dunga na Copa América, e Gil (ex-Corinthians, atual Shandong Luneng, da China) são os titulares absolutos na zaga. Ambos, entretanto, não me convencem – contra atacantes rápidos, terão dificuldades, pois são lentos.

É triste e absurdo não ver Thiago Silva, um monstro na posição, na seleção. O capitão do Brasil na Copa de 2014 deveria fazer parceria com David Luiz (outro titular no Mundial de 2014 e outro descartado por Dunga) ou com Marquinhos. O entrosamento não seria problema, já que os três são colegas no PSG, campeão francês, da Copa da França e da Copa da Liga da França.

Enfim, dessa seleção sem nenhum supercraque na Copa América (até porque o único supercraque brasileiro no momento é Neymar), esperar o quê?

Dunga diz que a seleção tem que ser competitiva (sim, é o mínimo que se espera de um país pentacampeão mundial), buscar a vitória (já viu algum time buscar a derrota?), usar o talento (não há fartura, tomara que Willian e Coutinho estejam inspirados e Lucas Lima tenha chance de jogar) e que os jogadores devem atuar com alegria e se divertir.

Em “Diversão”, música de 1987 (ano em que Dunga começava a jogar pela seleção brasileira principal), a banda Titãs assim canta: “Diversão é solução sim, diversão é solução pra mim”.

É bom ter em mente a busca pela diversão, afinal, o futebol é também um jogo lúdico. Mas, nas atuais circunstâncias, a solução para a seleção brasileira é ganhar, não importa o placar.

Desse modo, é melhor Dunga instruir os atletas a jogar muito sério até os gols saírem.

Com uns 3 a 0 no placar, aí sim dá pra pensar em se divertir.


Fonte: Folha.com.br

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