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O tormento do doping

Os escândalos de doping que despontaram nos últimos tempos pressionam os dirigentes do Comitê Olímpico Internacional. Agora, praticamente às vésperas da Olimpíada do Rio (a abertura acontece em 5 de agosto), eles vão definir os critérios de elegibilidade de atletas para os Jogos.

A entidade deve analisar nesta terça (21) a situação da Rússia, que, por causa de trapaças de doping, teve sua equipe de atletismo suspensa pela federação internacional da modalidade (Iaaf) de todos os eventos do planeta.

A cartolagem do COI está com uma batata pelando nas mãos e precisa esfriá-la para evitar desdobramentos. Suspeitas de doping são suficientes para a criação de uma nuvem inaceitável de desconfiança sobre resultados dos Jogos.

A Iaaf, por sua vez, quer limpar a sujeira que mancha a modalidade, punindo exemplarmente o atletismo da Rússia. A medida vale para todos os atletas, inclusive os que nunca tiveram um resultado positivo em testes. Isto não parece justo.

É provável que o COI aponte a saída abrindo as portas para que russos sem registro de doping no currículo atuem nos Jogos, mas sob uma bandeira neutra. Uma saída emergencial, prática e política, mas perversa, pois não deixa de ser uma forma de punição impedir um atleta de representar o seu país.

Trapaças de doping geram injustiças. Quando são detectadas, abrem a possibilidade para reparação de danos.

Dois casos exemplares podem propiciar ao atletismo brasileiro o resgate de medalhas de bronze, ambas da Olimpíada de Pequim-2008, nas provas de revezamento 4 x 100 m, no masculino e no feminino.

Naquela oportunidade, as equipes nacionais terminaram em quarto lugar.

Entretanto, testes com equipamentos mais modernos, de amostras em coletas de material armazenadas desde aqueles Jogos, teriam apresentado resultados positivos de um jamaicano e de uma russa, que ganharam medalha de ouro.

Até o momento, não houve a oficialização dos resultados daqueles novos testes, apenas a revelação dos positivos pela mídia dos respectivos países. Ocorrendo a ratificação pela Agência Mundial Antidoping, o Brasil está alerta para reivindicar o bronze.

Em contrapartida, outras situações atingem negativamente o esporte brasileiro, envolvendo estrelas que estão sob risco de desfalcar a representação feminina no Rio. A principal nadadora do país, Etiene Medeiros, e a mais destacada velocista do atletismo nacional, Ana Cláudia Lemos, foram flagradas por uso de substâncias consideradas dopantes.

Etiene, com resultados expressivos em várias provas, alega ter usado inadvertidamente medicamento para asma, contendo droga proibida pelos regulamentos esportivos. Ela aguarda julgamento.

Teste de Ana Cláudia deu positivo para oxandrolona. Com índice olímpico para a prova dos 100 m rasos, ela também é apontada como peça chave para o 4 x 100 m.

Levou gancho de cinco meses, que vence em 2 de julho. Entretanto, o dirigente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, Marco Aurélio Klein, adiantou que a entidade recorrerá ao Tribunal Arbitral do Esporte, na Suíça, para agravar a pena. Parodiando o ditado popular, duas no cravo e duas na ferradura.


Fonte: Folha.com.br

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