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Ora Bolas: Maicon, "às vezes" e a paixão

Desde quando é preciso ser craque para valer milhões de euros, milhares de pedidos e incontáveis esforços?



GOAL Por Bruno Andrade


Maicon vale 6 milhões de euros (R$ 22 milhões) e metade de duas promessas da base (Lucão e Inácio)? Para o São Paulo, sim. Para os são-paulinos, muito mais. Nem sempre o futebol é razão. Às vezes – bendito seja o “às vezes” – a paixão, com uma pitada de ousadia (ou maluquice), se impõe e fala mais alto. Bendita também seja a “paixão”.

Um olhar frio e estritamente voltado para o lado financeiro diria que a contratação do zagueiro é um absurdo. Por que o Tricolor fez das tripas coração para ficar em definitivo com um jogador de 27 anos que nem sequer tem seis meses no clube e foi praticamente chutado do Porto?

Ah, o bendito “às vezes”. Às vezes acontece de um profissional cair nas graças da torcida por causa de um gol decisivo, de uma bola salvada nos minutos finais (às vezes atuando fora da posição de origem), de um desarme digno de aplausos ou de uma mexida nos sentimento daqueles que cobram a todo instante, com gritos ou simplesmente expressões, raça e respeito. Ou “tudo isso e mais um pouco”.

Maicon é um dos raros (e agradáveis) exemplos de “tudo isso e mais um pouco”. Se não fosse “tudo isso”, o novo velho reforço seria um defensor regular e ligeiramente acima da média, daqueles que a nota varia entre 6, 6,5 e 7. Ele está longe de ser um Roberto Dias, um Oscar, um Dario Pereyra e e nem mesmo um Lugano (nos bons tempos). Mas desde quando é preciso ser craque para valer milhões de euros, milhares de pedidos das arquibancadas e incontáveis esforços da diretoria?

O São Paulo marcou um golaço ao segurar Maicon e, consequentemente, garantir o brio do são-paulino, que, mesmo sabedor das dificuldades financeiras do clube, não perdoaria o adeus da peça que acertou a defesa e, arrisco dizer, o time na Libertadores.


Fonte: Goal.com

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