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Para Lula, políticas econômica e externa fazem Brasil voltar ao complexo de vira-lata

Lula chorou duas vezes em protesto contra Temer e pediu respeito a setores da Pol
Lula chorou duas vezes em protesto contra Temer e pediu respeito a setores da Polcia Federal e do Ministrio Pblico, que, para ele, fazem conluiu para conden-lo atravs de manchetes, sem julgamento. Foto: Ricardo Stukert/Instituto Lula
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Em ato de protesto realizado, hoje, na Avenida Paulista, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT) fez duras críticas às políticas econômica e externa adotadas pelo governo do presidente interino de Michel Temer (PMDB), justamente as duas áreas que vêm sendo elogiadas por especialistas. Lula também chorou em duas ocasiões, durante o discurso, e pediu respeito a setores do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da imprensa, que têm usado de vazamentos para condená-lo sem julgamento.
“Tenho orgulho de ter fortalecido o sistema financeiro público brasileiro, porque, quando veio a crise, o sistema privado não quis financiar crédito e os bancos públicos ajudaram a salvar esse país (…) Eles não sabem governar, eles só sabem privatizar”, afirmou Lula, após elogiar o desempenho do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, que sofrem ameaças de serem fundidas.

O protesto foi transmitido ao vivo na internet pelo Instituto Lula. “É muito importante que a gente esteja importando para os EUA e para a Alemanha, mas é importante que a gente esteja emprestando dinheiro para o povo pobre virar empreendedor”, continuou Lula, acusando o ministro interino do Exterior, José Serra, de recuar na política externa e fazer o Brasil voltar a ter complexo de vira-lata. “O ministro Serra reconheceu que o Brasil não pode se meter em coisa de países grandes, temos que conhecer o nosso lugar… Quem tem que mandar são os americanos, os europeus, mas, uma coisa que eu vou dizer ao Serra e aos que têm complexo de vira-lata: eu quero dizer para vocês que eu aprendi na vida que a gente não é respeitado porque é rico, porque é grande, mas por tratar o outro como igual (…) Os Estados Unidos seriam muito mais respeitados se, ao invés de condenar, fosse generoso com o restante do mundo”.

Lula chorou ao falar sobre os ataques que ele e sua família vêm sofrendo, com notícias que dizem, todos os dias, que ele está prestes a ser preso. Disse que seu governo sempre respeitou a autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público e, de tal maneira, também gostaria de ser respeitado. Para ele, o que existe, atualmente, é um conluiu de segmentos desse setores com a imprensa.

“Eu estou com saco cheio de ver todo dia que o dinheiro que financia o governo do PT é dinheiro sujo. Eu estou cansado… Eu respeito a Justiça, eu valorizei a vida inteira o MP, a PF, a Procuradoria Geral (da República). Não temos o direito de permitir que essas instituições sejam partidarizadas, tomem posições políticas e ideológicas”, declarou para completar. “Eu tô esperando que alguém do MP, que um delegado, aponte um real de desvio na minha vida pública nesse país”.

O ex-presidente também fez críticas diretas ao presidente interino Michel Temer, mas disse que não ia entoar o grito de guerra da militância, o “for a, Temer”, porque não lhe cabia esse papel. “Você sabe, Temer, que você não agiu correto assumindo a Presidência da República. Por favor, permita que o povo retome o governo da Dilma e participe das eleições em 2018. É simples”, disse ele, diante da euforia da plateia, que interrompeu o seu discurso para gritar “fora, Temer”.

Lula finalizou o discurso dizendo que, quanto mais provocado, mais se fortalece. “Eu quero dizer para vocês: a única coisa que eu peço é que eles tenham por mim o respeito que eu tenho por eles. Mas eu aviso que, quem quase morreu de fome, não tem medo de ameça neste país”.


Fonte: Diário de Pernambuco

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