Paulo José Barbosa: A sustentabilidade das ONGs

Por Paulo José Barbosa

Diretor de Planejamento do Movimento Pró-Criança

É inegável a importância da participação das ONGs – Organizações Não Governamentais, no desenvolvimento de atividades (sociais, educativas, esportivas e de formação para a cidadania) nos segmentos menos protegidos da sociedade, complementando a ação do governo, que às vezes, não consegue facilmente atingir os mesmos. Não obstante essas ONGs, como entidades sem fins lucrativos, enfrentam vários problemas para manterem-se viáveis em busca de seus objetivos.

Como sabemos, estas instituições em sua grande maioria dependem de recursos oriundos de projetos, negociados com órgãos públicos ou empresas privadas, algumas têm também receitas derivadas de projetos considerados, contabilmente, vinculados e outros não vinculados.

Hoje há uma preocupação no setor, em diferenciar as receitas vinculadas, uma vez que as primeiras são direcionadas para as atividades operacionais especificas, de acordo com as negociações do projeto, enquanto as não vinculadas são mais utilizadas para atividades administrativas, como: pessoal, despesas gerais, segurança e outros, isto é , de manutenção básica para o funcionamento institucional.

Com relação propriamente à sustentabilidade econômico-financeira das ONGs, alguns estudos tem sido realizados e entre eles, citamos as considerações de Tozzi (2015), em seu livro SOS da ONG – Guia de Gestão para Organizadores do 3º Setor, onde se propõe um Índice de Sustentabilidade Mínima-ISM, resultante da relação de receitas não vinculadas sobre despesas não vinculadas.

Quando o resultado é maior que 1, dentro de um determinado período, a sustentabilidade econômico-financeira estará garantida, uma vez que os custos vinculados serão pagos pelos projetos, caso contrário, quando a relação indica valor menor, faltará dinheiro para pagar despesas da ONG. Nesse caso a mesma terá que rever seus custos e planejamento estratégico com vistas à ampliação de suas receitas não vinculadas, sob pena de até deixar de funcionar. Entre as instituições (ONGs) que tem se preocupado com a questão da sustentabilidade, pelo menos aqui no nordeste, está o Movimento Pró-Criança, que a partir dos seus últimos dez anos vem buscando um modelo de sustentabilidade, que se empenha na captação de recursos não vinculados. Nesse aspecto, suas receitas, de acordo com os últimos Relatórios de Atividades (2013,2014 e 2015) indicam uma participação de mais de 75% de receitas não vinculadas nos seus orçamentos.


Fonte: Diário de Pernambuco

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