Últimas

Pernambuco e o Canal do Panamá

Duas linhas na edição do  Diario de Pernambuco de 25 de janeiro de 1882 destacavam o início de uma obra monumental: o Canal do Panamá. Através da Agência Havas, que enviou a notícia através de cabo submarino, o telegrama de Paris, datado do dia 21, anunciava que foram iniciados os trabalhos do “canal interoceânico”. Foi a primeira tentativa de se fazer uma ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico através de uma passagem artificial.

O construtor do Canal de Suez, Ferdinand Lesseps, obteve em 1878 uma concessão da Colômbia autorizando a sua empresa, a Compagnie Universelle du Canal Interoceanique, a iniciar as obras. Os insetos venceram, inicialmente, o sonho do homem. Epidemias de malária e febre amarela atingiram 20 mil operários e o atraso no cronograma resultou em dificuldades financeiras. Em 1889, a companhia admitia não ter dinheiro para pagar as dívidas. Lesseps, herói nacional na França, acabou indo a júri em 1893 e sendo condenado.

Os Estados Unidos assumiram o projeto em 1904 e levaram uma década para concluir o canal, inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914, com 77,1 quilômetros de extensão. O controle efetivo passou ao país panamenho somente em 1999.

Neste domingo será inaugurada a ampliação desta passagem interoceânica, agora com 80 quilômetros e responsável atualmente por cerca de 5% do comércio marítimo mundial. O novo sistema de eclusas com maior profundidade, que custou US$ 5,45 bilhões, permitirá a passagem de navios com capacidade de até 14.000 contêineres, o triplo da carga atual. O primeiro a cruzar será o chinês Cosco Shipping Panama, com 48,25 metros de largura e 299,98 metros de comprimento.

O que Pernambuco ganha com isso? O Porto de Suape pode se consolidar como um hub port, um concentrador de cargas de grandes navios da Ásia, que passarão agora pelo Panamá, deixando de circundar o Cabo da Boa Esperança, no sul da África. Segundo cenário projetado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Suape poderá ter crescimento de 9,5% ao ano no seu desempenho até 2031.

Os portos situados no Atlântico passarão a ter maior importância econômica. Suape larga na frente de outros brasileiros pela sua infraestrutura. Tema que o jornal abordará nos próximos dias.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook