Polícia apura golpe de falsa médica e investiga se clínica fraudava atestados

Delegada vai chamar médicos para depor cujos carimbos foram achados em estabelecimento

 

A delegada Maria Aparecida Araújo vai abrir, nesta segunda-feira (6), um inquérito para apurar o esquema da falsa médica presa na semana passada. Juciane Brandão foi detida na última sexta-feira (3), em uma clínica na Ponta Grossa, após ser denunciada por uma das pacientes. A autoridade policial desconfia que pode ter fraude na clínica onde a suspeita foi detida, já que, no local, quatro médicos do trabalho estão atuando. Pode, segundo ela, ocorrer compra de atestados e aposentadorias.

Ela foi presa junto com o marido, Willams Batista, que também ajudava no esquema na Clinflife. Os dois foram indiciados no artigo 282 do Código Penal, por exercício ilegal da medicina, mas já foram soltos. Com eles, a polícia apreendeu carimbos de diversos médicos, que devem ser chamados para prestar depoimento.

Segundo a delegada, somente depois dos esclarecimentos será possível definir se eles sabiam do uso ilegal do registro deles. "Vamos procurar o CRM [Conselho Regional de Medicina] para entrar em contato com esses médicos, saber se eles realmente existem e quem são, onde atendem".

Maria Aparecida diz, porém, que chama a atenção o fato de a clínica possuir quatro profissionais de Medicina do Trabalho, o que poderia ser indício de fraude. "Uma clínica daquele tamanho com quatro médicos do trabalho não é comum. Isso pode indicar uma fraude, provavelmente na compra de aposentadorias e atestados", ressalta.

 

Clínica onde falsa médica atuava fica na Ponta Grossa

FOTO: LARISSA BASTOS

Uma das médicas que teve o carimbo utilizado ilegalmente já foi ouvida pela Polícia Civil e afirmou que não tinha o conhecimento do esquema. Em depoimento na Central de Flagrantes, ela esclareceu que já havia trabalhado com Juciane, que é enfermeira, há cerca de 12 anos, mas não tinha mais contato com ela. 

 

A suspeita também prestou depoimento e disse que havia utilizado o carimbo por engano e que estava com ele porque já tinha trabalhado com a médica em questão. Ela afirmou ainda que não atendia no estabelecimento e que a paciente que denunciou o crime tinha consulta com outro profissional, mas, como ele faltou no dia, quis "ajudar".

O golpe

O golpe aplicado por Juciane e o marido foi descoberto depois que uma das pacientes denunciou a falsa médica. A mulher tinha uma consulta marcada com uma ginecologista e viu quando a suspeita procurou no Google o remédio que deveria ser prescrito para o problema dela.

"A moça foi atendida no balcão, na recepção da clínica, e contou que viu Juciane, que não se identificou, procurar na internet como tratar da queixa dela de infecção urinária e o remédio que deveria receitar. Quando foi na farmácia, o farmacêutico informou que a dosagem prescrita estava errada e ela desconfiou", destaca Maria Aparecida. 

 

Receita prescrita por Juciane

FOTO: LARISSA BASTOS

A consulta custou R$ 72 e, segundo a delegada, a médica que teve o carimbo usado estava na cidade de Boca da Mata no dia da consulta. O estabelecimento, que está no registrado no nome da dupla presa, também consta, na Junta Comercial do Estado, em endereço diferente do real.

 

"Na Junta, está como se a Clinlife funcionasse na Rua Santos Pacheco, no Prado. Mas, nesse endereço, há apenas uma casa para alugar, que não tem nada de clínica. Já a clínica mesmo está funcionando na Rua Santo Antônio, na Ponta Grossa", ressaltou a delegada.

Na ocasião da prisão de Juciane e Willams, o presidente do CRM, Fernando Pedrosa, afirmou que colaboraria com as investigações. De acordo com ele, porém, o órgão só poderá agir caso seja comprovada a participação de algum médico no esquema.

 

 Por Larissa Bastos | Portal Gazetaweb

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook