Polícia civil ainda não sabe se morte de foragido foi natural

Em coletiva de imprensa realizada esta manhã, a Polícia Civil afirmou que a causa da morte do empresário Paulo César de Barros Morato segue inconclusiva. De acordo com informações fornecidas pela Polícia, o cenário onde o corpo de Morato foi encontrado não apresentava sinais de homicídio ou suicídio, mas nada pode ser confirmado ou descartado ainda. Entre os medicamentos encontrados no veículo estavam remédios de uso controlado para hipertensão e diabetes, que geralmente não são usados para suicídio. Além disso, no carro do empresário também foram recolhidos sete pen drives que serão periciados.

O médico legista Marcos Justino, que fez a autópsia no corpo, afirmou à imprensa que espera resultados de exames para comprovar o motivo da morte. “Foram solicitados exames e precisamos aguardá-los para ter uma confirmação. Não há indício nenhum ainda. Foram colhidos dados para exames toxicológicos e para avaliar infarto agudo. Por enquanto não há nada confirmado”, disse. A previsão é de que os exames fiquem prontos entre sete e dez dias. Até saírem os resultados, o corpo de Paulo César Morato vai ficar retido no IML para uma eventual contraprova. Nenhum familiar foi até o instituto. “Até agora o corpo está sem identificação, oficialmente, de nome e de idade”, afirmou o legista.

 

Declarado como foragido pela Polícia Federal na última terça e encontrado morto na noite de ontem num motel em Olinda, Morato deu entrada no motel por volta do meio dia de terça, num Jeep Cherokee preto, de placas QFP-4389, e não havia informado se iria renovar a diária até o meio dia da quarta. O empresário chegou ao local sozinho e não pediu nada desde então. Os funcionários suspeitaram da falta de renovação das diárias e da “falta de pedidos”. Não houve arrombamento, segundo o advogado Higínio Luís Araújo, que representava o estabelecimento. Eles decidiram utilizar uma chave mestra, um procedimento padrão, para checar o quarto. Encontram Paulo César na cama morto, sem sinais de violência, sem sapatos e sem camisa. Estava de calça jeans, sem camisa e com uma tolha sobre o peito e o controle da televisão próximo. Ele tinha posse de R$ 6,5 mil.

Até a noite de ontem, a Polícia Federal cogitou a possibilidade de incluir o nome do empresário Paulo César na lista dos procurados da Interpol. Segundo a PF, ele era suspeito de integrar “uma organização criminosa” que teria desviado R$ 600 milhões, envolvendo pelo menos 18 empresas que seriam de fachada e tinham abastecido campanhas políticas de Pernambuco e do Nordeste.

Paulo Morato é supostamente dono da empresa “Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplenagem LTDA”. Ele é apontado pelo Ministério Público como um dos que aportou recursos na aquisição da aeronave Cesnna, que transportava o ex-governador Eduardo Campos em 2014, falecido em 13 de agosto daquele ano, num acidente aéreo. Eduardo era candidato a presidente da República.

O grupo foi descoberto pela PF a partir das investigações que apuravam quem seria, finalmente, o dono do jato que transportava Eduardo naquele ano. Segundo o assessor de imprensa da Polícia Federal, Giovani Santoro, um agente federal está acompanhando as investigações para observar se a morte tem algo relacionado à Operação Turbulência. Por enquanto, de acordo com ele, o caso será tocado pela Polícia Civil.

Segundo informações do Ministério Público Federal, Paulo César tinha em conta R$ 24,5 milhões, mas era considerado como “testa de ferro” porque as condições de vida dele não condiziam com o dinheiro encontrado. “Chama atenção o montante movimentado pelo investigado Paulo Morato e por suas empresas, o qual é evidentemente incompatível com seu padrão de vida. Isso evidencia sua condição de testa de ferro”. No corpo de Paulo César, contudo, havia um relógio avaliado em R$ 10 mil e R$ 6,5 mil em dinheiro, está última informação não confirmada pelo advogado do hotel, Higínio Luís Araújo Marinsalta.

Entre os cinco investigados que lideravam o grupo criminoso, ele era o que mais tinha dinheiro em conta. A PF informou, por meio de nota, que Paulo César se encontrava foragido desde  21 de junho em razão da deflagração da Operação Turbulência.


Fonte: Diário de Pernambuco

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