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Promotoria vai investigar clube que lucra sem jogar campeonato

O Ministério Público de São Paulo decidiu abrir uma investigação sobre o SEV-Hortolândia, clube do interior paulista que está de portas fechadas desde o fim de 2014, mas que continua lucrando com transação de jogadores.

Os agentes e dirigentes ligados ao clube serão chamados a prestar depoimento nos próximos dias. Em 2015, a agremiação teve superavit de R$ 2,7 milhões, mesmo sem disputar nenhum torneio.

O caso fará parte de inquérito que já está em andamento dentro da Promotoria, que envolve denúncias contra o ex-presidente do São Paulo Carlos Miguel Aidar, entre elas o uso de um clube pequeno, o Monte Cristo, da terceira divisão goiana, como ponte em uma transação que levou o zagueiro Iago Maidana, 20, para o clube do Morumbi.

O promotor Arthur Pinto de Lemos Júnior usa o episódio do São Paulo como estopim para uma extensa apuração sobre lavagem de dinheiro no futebol, com empresários e dirigentes como alvos.

Ele decretou sigilo no inquérito, que já ouviu depoimentos, inclusive o de Maidana. Não há prazo para conclusão da investigação.

Felix Lima/Folhapress
Sao Paulo, SP, Brasil, 19/05/2016: Fachada e campo de futebol do Centro Poliesportivo Nelson Cancian em Hortolandia/SP. Foto: Felix Lima/Folhapress
Fachada e campo de futebol do Centro poliesportivo Nelson Cancian, em Hortolândia

NA MIRA DA FIFA

Como mostrou a Folha, entre 2014 e 2015, o SEV arrecadou quase R$ 19 milhões com a venda de atletas que nunca vestiram a camisa do time. Do total, cerca de R$ 16 milhões foram repassados a agentes.

Os jogadores são registrados no clube e logo repassado para outros. O SEV funciona como um intermediário para empresários fazerem negociações sem serem barrados pela Fifa, que vem apertando o cerco contra empresários donos de direitos econômicos de jogadores.

De acordo com especialistas, a prática não é ilegal, mas pode ser considerada irregular pela Fifa, que já puniu equipes da Bélgica, Argentina e Uruguaia por esse motivo —o SEV-Hortolândia também está sob investigação.

Fernando Garcia, ex-conselheiro do Corinthians, e Marcus Sanchez, vice-presidente da farmacêutica EMS, são os principais nomes por trás do SEV. Victor Muniz, presidente do clube, também tem uma empresa de agenciamento de jogadores.

Os três devem ser chamados pelo Ministério Público para prestar depoimento.


Fonte: Folha.com.br

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