PSB nega qualquer ilícito na campanha de Campos à presidência em 2014

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) enviou uma nota à imprensa na tarde desta quarta-feira declarando que mantém a confiança no ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em agosto de 2014. A investigação sobre a propriedade do avião em que o socialista morreu, na cidade de Santos, no litoral do estado São Paulo, voltou a tona hoje com a deflagração da Operação Turbulência, da Polícia Federal. Segundo as investigações, a aeronave foi comprada a partir de um esquema montado com 18 empresas que atuavam desde o ano de 2010, época em que o socialista também teria sido beneficiado com recursos em sua campanha de reeleição ao governo de Pernambuco.

“A direção nacional do Partido Socialista Brasileiro, PSB, em face da Operação Turbulência, da Polícia Federal, noticiada hoje pela imprensa, informa à sociedade brasileira ter plena confiança na conduta do nosso querido e saudoso Eduardo Campos, ex-presidente e ex-governador de Pernambuco”, diz a nota. “O Partido apoia a apuração das investigações e reafirma a certeza de que, ao final, não restarão quaisquer dúvidas de que a campanha de Eduardo Campos não cometeu nenhum ato ilícito”, completa um texto assinado pelo presidente nacional do partido, Carlos Siqueira.

 

A investigação começou, segundo a PF, a partir da análise de movimentações financeiras suspeitas detectadas nas contas de algumas empresas envolvidas na aquisição da aeronave Cessna Citation PR-AFA. Esse avião transportava o ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, em seu acidente fatal, ocorrido em agosto de 2014.

A PF relevou que essas empresas eram de fachada, constituídas em nome de “laranjas”, e que realizavam diversas transações entre si e com outras empresas que seriam fantasmas, inclusive com algumas investigadas no bojo da Operação Lava Jato. Há suspeita de que parte dos recursos que transitaram nas contas examinadas serviam para pagamento de propina a políticos e formação de “caixa dois” de empreiteiras. O esquema criminoso sob apuração encontrava-se ativo, no mínimo, desde o ano de 2010.

 

Foram presos nesta quarta os empresários João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira, apontados como donos do avião, além de Arthur Roberto Lapa Rosal. Todos já foram levados para o Cotel. Há ainda um quinto mandado de prisão expedido, mas o nome do suspeito não foi divulgado. 

 

Além do governador, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) também foi citado pelos investigadores na sede da Polícia Federal na manhã desta quarta. O senador teria recolhido recursos do esquema para a campanha de reeleição do ex-governador Eduardo Campos, em 2010. “De acordo com evidências que recebemos do processo que tramita no STF, o senador teria sido responsável por negociar uma aporte à campanha do governador Eduardo Campos na época”, disse Andrea Pinho, uma das delegadas responsáveis pela operação. As investigações da Polícia Federal em Pernambuco foi beneficiada por informações da Operação Lava-Jato em Brasília e no Paraná.

Em nota à imprensa, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) repudiou a citação a seu nome na Operação Turbulência. “O senador não é sequer mencionado nos autos desta investigação. Além disso, Fernando Bezerra afirma que não foi coordenador das campanhas de Eduardo Campos, à Presidência da República, nem em 2010 nem em 2014; não tendo, portanto, exercido qualquer função financeira nas campanhas de Campos”, diz a nota. FBC também declarou que “quanto à investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) – ainda não concluída –, Fernando Bezerra Coelho ratifica que sempre esteve à disposição para colaborar com os ritos processuais e fornecer todas as informações que lhe foram e, porventura, venham a ser demandadas”.


Fonte: Diário de Pernambuco

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