Últimas

Rodrigo Calvozzo: Sejam bem-vindos a 1987

Após ser eliminado na primeira fase da C. América de 87, Brasil se preparou para conquistar o título em casa, para depois iniciar uma das mais vitoriosas fases de sua história


GOAL Por Rodrigo Calvozzo 


Quem abriu o jornal de maneira desavisada no dia seguinte da partida da Seleção quase caiu da cadeira! As letras garrafais da primeira página diziam que o Brasil estava eliminado da Copa América! Mas como assim? A Seleção Canarinho poderia até não viver os seus melhores dias, mas ainda assim era apontada como franca favorita e precisava apenas de um empate para se garantir na próxima etapa.

Mesmo sabendo que Dunga estava naquele banco de reserva, foi dureza aceitar que estávamos fora do torneio ainda na primeira fase, mas precisamos admitir, o Chile foi bem superior e mereceu a vitória por 4-0.

Não, você não leu nada errado e a informação acima está correta. Afinal de contas me refiro ao fatídico jogo acontecido no dia 3 de julho de 1987, na Argentina, quando o time comandado por Carlos Alberto Silva perdeu por 4 – 0 para os chilenos e deu adeus ao torneio continental ainda em sua primeira fase. E sim, o volante Dunga estava no banco de reservas, ostentando a camisa 16.

Como hoje, aquele time passava por uma grande reformulação que gerava muita desconfiança entre os torcedores. Do time da Copa de 86 o zagueiro Júlio Cesar era tido como a referência defensiva. Por outro lado, jovens como Muller e Romário começavam a brigar por posições para atuar ao lado de Careca, que era o grande nome do time. Apesar da “tragédia”, aquela equipe seria a base montada pelo treinador mineiro que teria uma bela trajetória nos Jogos Olímpicos de 1988, disputados em Seul.

Mais do que isso, com esta mesma geração iniciamos um dos períodos mais vitoriosos do futebol brasileiro. Mesmo que Silva não tenha resistido à pressão da cultura nacional, que garante que o vice é o primeiro lugar dos últimos, foi com Sebastião Lazaroni que a desconfiança deu lugar a alegria e em 1989 foi plantada a primeira semente, que mesmo com alguns grandes tropeços posteriores, acabou abrindo caminho para o tetracampeonato mundial, de 1994.

Passada a eliminação na primeira fase, como aconteceu agora, e o vice da Olimpíada, o Brasil recebeu a missão de recuperar o seu prestígio na Copa América de 1989, que aconteceria em seu próprio território. Iniciando as correlações com o cenário atual, vale lembrar que a próxima edição do torneio que agora acontece nos Estados Unidos virá exatamente para o nosso país, em 2019.

Dali por diante, mesmo com críticas de todos os lados, foi montado o time que levantou o caneco sul americano no Maracanã, contra nossos carrascos uruguaios. Naquela equipe víamos nomes como Taffarel, Jorginho, Aldair, Branco, Dunga, Mazinho, Valdo, Bebeto e Romário, que apesar de terem sobrevivido ao fiasco da Copa da Itália, tiveram forças para chegar em 1994 para encarar a Azzurra, exatamente na terra do Tio Sam, palco do nosso último vexame.  

Mais importante do que vergonhas e glórias, as coincidências mostram que com um trabalho sério é possível formar um grupo vitorioso, mesmo estando no fundo do poço. A saída de Dunga do comando pode ter sido o primeiro passo para a reconstrução de um futebol, que mesmo abalado, ainda é considerado uma das grandes referências do planeta. Precisamos resgatar a nossa essência, seja com Tite ou com qualquer outro nome que assuma a direção de nossa Seleção.  

Que o exemplo de 1987 sirva de inspiração para a geração atual. Não precisamos nos reinventar, mas apenas entender que o Brasil é e sempre será uma força no mundo da bola. Mas que para confirmar esse status é preciso trabalho e muita seriedade, pois apenas com tradição não chegaremos em lugar algum.

 

 


Fonte: Goal.com

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook