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Rodrigo Calvozzo: Um picadeiro montado no Fluminense para justificar uma mancada planejada

Após uma sequência de ações desastrosas, Peter Siemsen entra para o time de piores Presidentes da história do clube das Laranjeiras por permitir “queimar” o seu maior ídolo


GOAL Por Rodrigo Calvozzo 


Que situação patética! A despedida de Fred do Fluminense não poderia ser mais melancólica e protagonizada exatamente pelo grande responsável pelo seu adeus, o Presidente do clube, Peter Siemsen.

O discurso já havia sido montado logo nas primeiras horas do dia. “O clube só tem a agradecer ao ídolo que deixa o Fluminense pela porta da frente”, “a proposta foi interessante para todos os lados”, “as portas estão abertas” e vida que segue.

O problema é que a realidade é bem diferente e o mandatário tricolor apenas se esconde em um discurso raso, pré-moldado, visando ocultar um perfil que não combina com um líder de um dos clubes mais tradicionais do Brasil, ou seja, de uma dirigente sem coragem.


Os jovens atletas do Flu perdem a referência do ídolo (Foto: Rodrigo Calvozzo / Goal Brasil)

Até mesmo o fato da coletiva ter sofrido duas horas de atraso, apenas demonstra que o processo de fritura do camisa 9 não foi uma obra de teóricos da conspiração. Peter esperou o quanto pode para usar o jogador ao seu lado como um verdadeiro escudo das críticas e só resolveu assumir a função que lhe cabia, e deveria ter feito muito antes, quando foi informado de que não teria outra solução.

Hoje este Presidente optou por encerrar um ciclo que poderia ser muito mais forte e até rentável para os dois lados por muitas décadas. Ídolo não se constrói do dia para a noite e Fred passou desse status para “apenas” mais um grande atleta que defendeu o time das Laranjeiras. Aliás, entrou também para a lista daqueles com quem o mandatário não teve tato para saber lidar. Ou será que alguém se esquece como foram os tratamentos dispensados a Muricy Ramalho, Emerson Sheik, Celso Barros, Abel Braga, Conca, Adidas, Mario Bittencourt… seja pessoa física ou jurídica, nenhum desses nomes saiu de forma pacífica ou com o reconhecimento que realmente merecia quando deixou de ser útil para o projeto político deste dirigente.

Pior do que isso é buscar entender como a relação com o jogador chegou a este ponto. Tudo começou com a saída da Unimed, que diga-se de passagem, também cai na conta do dirigente que não soube ter jogo de cintura para administrar este caso. Ali o agora ex-capitão tricolor concordou em facilitar as coisas, abrindo parte de seus rendimentos sob a promessa de que seria compensado mais na frente.


Mario foi demitido após bater de frente com o Presidente (Foto: Nelson Perez / Fluminense FC/ Divulgação)

O tempo passou novos reforços chegaram, a Adidas se foi (opa mais um caso que cabe debate), veio a Dry World com diversas promessas e nada de concreto foi oferecido ao jogador ao contrário do que foi realmente divulgado, seja por questão de privacidade ou por falta de coragem mais uma vez. Como não poderia deixar de ser, uma hora a cobrança chegaria e chegou. Por azar (ou sorte na visão de alguns do clube) aconteceu o problema com Levir e por pouco Fred não foi embora liberando a diretoria de qualquer “culpa” perante os torcedores. Mesmo após demonstrar pouca convicção para quem ocupa o principal cargo da instituição e demorar muito tempo, este mesmo Presidente achou por bem reunir os dois lados e acabar com a crise que poderia ter sido muito menor.

Acontece que cicatrizes não somem de uma hora para outra e aí foi deixada a porta aberta para uma cobrança mais intensa por parte daquele que em outras ocasiões até topou ceder. Por incrível que pareça, diante deste cenário, foi o clube carioca que abriu as portas e praticamente foi procurar uma solução para a despedida de seu maior ídolo.  Como disse um amigo mais cedo, dentro das proporções, seria com Flamengo ou Vasco irem ao mercado oferecendo Zico ou Roberto Dinamite para algum rival e o argumento de que o jogador pediu para sair é injustificável e apenas comprova que algo nessa gestão não estava bem.


Após a saída da antiga parceira, Fred aceitou renovar até 2018 (Foto: Nelson Perez / Fluminense FC/ Divulgação)

Em resumo hoje o Tricolor “ganhará” a quantia de cinco milhões de reais que será depositada em sua conta, mas que todos sabem, aliviará apenas por algum tempo a crise financeira que vive a instituição. O problema é que a crise não se resume apenas nesse ponto. Agora o Flu não terá seu grande gerador de interesse para a formação de futuros torcedores. As crianças deixaram de ter a referência dentro de campo. Além disso, se já estava complicado garantir um novo patrocínio máster com a presença de Fred, sem ele dificilmente algum especialista sério irá encontrar argumento aceitável de que essa saída facilitará algo nesse sentido.

Se olhar para a situação de momento na Laranjeiras, muitos torcedores poderão ficar assustados, já que atualmente o clube vive a seguinte situação:

– Não conta com um ídolo no elenco.
– Não possui patrocinador máster.
– Deixou de ter um fornecedor de material esportivo tradicional e optou por outro que vem se mostrando um desastre tanto na produção quanto nos compromissos financeiros.
– Deverá em breve perder uma de suas maiores promessas para o exterior (Scarpa) e já sabe que não terá Gerson, já vendido em 2015.

O único argumento a favor do atual Presidente fica por conta da construção do CT, o que mais soa como campanha eleitoral dos políticos brasileiros do que um projeto sério de um clube profissional. Sim, afinal de contas todos sabem que este é um trabalho que se tornou o grande sonho do VP de Projetos Especiais, Pedro Antônio, que na verdade é quem Siemsen gostaria de transformar em seu sucessor. Mesmo este empresário não cumpra as exigências estatutárias para tal, comenta-se internamente que a direção estuda a possibilidade de revisão do estatuto para que isso se torne realidade. Mas isso é outro papo.


Apesar de jovem, Richarlison assume a responsabilidade de ser a referência ofensiva (Foto: Nelson Perez/ Fluminense FC/ Divulgação)

De qualquer forma, a eleição parece ter mesmo pesado e muito nessa decisão de queimar o ídolo. Há quem diga que tal medida serviu também para agradar as Torcidas Organizadas, que a partir de agora passam a ter muito peso neste processo. Afinal de contas, pela primeira vez os sócios torcedores participarão de forma maciça do pleito, que acontece em novembro, e Fred nunca foi bem visto entre integrantes dessas facções.  


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Enfim, a realidade é que o Tricolor perde dentro e fora de campo e assume publicamente que seu grande objetivo na temporada é ficar na zona de conforto da tabela. Ou seja, sabendo que não disputará títulos, mas que também não deve ser ameaçado pelo rebaixamento. Resta para os fãs agora torcerem para que uma sequência de maus resultados não faça a pressão interna aumentar e com isso o grupo deixe as coisas desandarem de vez, já que como o próprio dirigente afirmou na coletiva, o clube está apostando o seu futuro em jovens e tal política é cercada de muitos riscos. Se isso rolar, os tricolores terão sérios motivos para se preocupar. O fato é que a partir de hoje, Peter Siensem entrou na galeria dos priores dirigentes da história do clube, do nível daqueles que acabaram com o time tricampeão estadual e brasileiro dos anos 80 e levaram o tradicionalíssimo clube para a sua fase negra dos anos seguintes. 

 

 

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Fonte: Goal.com

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