Saída da Força Nacional gera transtornos na Delegacia de Homicídios da Capital

Tropa federal era responsável por investigar assassinatos em várias áreas de Maceió

 

A determinação do Ministério da Justiça e Cidadania de retirar parte dos integrantes da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) que estava atuando em Alagoas para reforçar o efetivo a ser mobilizado durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro foi recebida com surpresa pelos que fazem a Delegacia de Homicídios da Capital. A tropa auxiliava na investigação de assassinatos de várias áreas de Maceió e a ausência dela, caso não seja suprida, pode prejudicar os trabalhos, embora já cause transtornos, mesmo que pequenos.

Em contato com a Gazetaweb, um dos agentes lotados na Delegacia de Homicídios confirmou que todos foram surpreendidos, na última sexta-feira, em pleno feriado de São João, com a notícia de que os colegas da Força iriam embora abruptamente. Nem deu tempo, ele disse, de 'arrumar a casa' e fazer algumas adequações para evitar que serviços ficassem parados. Boa parte nem sabia o motivo real da saída da tropa para ajudar durante os Jogos Olímpicos.

Os delegados e os agentes da FNSP atuavam na presidência de inquéritos em diversas áreas de Maceió, a exemplo de Vergel do Lago, Jacintinho e Benedito Bentes, consideradas de grande incidência de homicídios na capital. Eles trabalhavam tanto nas equipes reservadas para o plantão diário como nas investigações de seguimento (aquelas que são sequenciadas após os primeiros levantamentos nos locais dos crimes). A colaboração da Força era, segundo a fonte ouvida pela Gazetaweb, muito importante para dar celeridade às apurações.

Nos últimos meses, o quantitativo da tropa federal vinha sendo reduzido em Alagoas. E a Polícia Judiciária foi a que mais sofreu com esta diminuição. Para manter a tropa no estado, o Governo de Alagoas faz a renovação a cada seis meses de um convênio firmado com o governo federal desde 2012, durante a implantação do projeto-piloto do programa Brasil Mais Seguro. "Aos poucos, a redução estava sendo feita deste efetivo, mas a gente não imaginava que a tropa fosse retirada de surpresa de Alagoas", comentou o agente ouvido pela reportagem.

O delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Paulo Cerqueira, informou que dois delegados da Força Nacional atuavam no cartório da Delegacia de Homicídios, junto com mais seis delegados locais. Cerca de 20 agentes de polícia da tropa federal completavam o efetivo na especializada. A saída deles, segundo Cerqueira, causa transtornos pequenos, já que a direção tinha consciência de que a retirada poderia acontecer a qualquer momento.

"Estávamos no planejamento para que isso ocorresse mais cedo ou mais tarde. Por isso, já tínhamos reforçado o efetivo na Homicídios, aumentando o número de delegados e de agentes. Vamos, agora, fazer uma reunião para fazer novas adequações na especializada. Se for necessário, vamos aumentar o efetivo para compensar a saída da Força Nacional, que deve voltar após as Olimpíadas do Rio de Janeiro", avisou Paulo Cerqueira.

A Gazetaweb não conseguiu contato com a coordenadora da Delegacia de Homicídios da Capital, Rebecca Cordeiro. Agentes informaram que a delegada estava de plantão no fim de semana.

 

Por Thiago Gomes

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