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Saída de Messi impulsiona mudanças no futebol argentino

Popularizado pelo filme “Perfume de Mulher”, o clássico tango “Por una Cabeza”, de Carlos Gardel, narra a história de um apostador compulsivo que compara seus insucessos no jogo e no amor, sempre na reta final.

“Por uma cabeça”, Messi e seus talentosos companheiros de geração —Mascherano, Agüero, Di María— deixaram escapar pela terceira vez seguida um título em final.

Os erros nos detalhes na Copa de 2014 e nas decisões das edições da Copa América de 2015 e 2016 repercutiram com força nesta segunda (27), levando à renúncia de Messi, que pode ser acompanhado de outros jogadores, à saída de seu agora ex-presidente Luis Segura e até uma ameaça de bomba na sede da Associação de Futebol Argentino.

A decisão do camisa 10 de deixar de servir a seleção de seu país (“no vestiário pensei que a seleção acabou para mim, não é para mim”, disse após a derrota) teve forte efeito. O colega Agüero afirmou que ele não deverá ter essa atitude sozinho.

“Provavelmente Messi não será o único a deixar o grupo”, disse o atacante em declarações ao diário argentino “Olé”. Ele ainda relatou que foi “o pior vestiário da seleção” e que Messi era o mais abatido.

De acordo com a imprensa local, Mascherano e Higuaín também podem anunciar o fim da carreira na seleção.

MESSI NA SELEÇÃO PRINCIPAL – <br>

As declarações foram interpretadas de duas formas: como a desistência de uma geração gestada desde as categorias de base com muita expectativa (bicampeões mundiais e olímpicos); e como uma forma de exercer pressão nos dirigentes da AFA.

“A fala do Messi teve um impacto terrível. Por um lado, sabemos como ele é: um ganhador. É difícil para ele aguentar essas derrotas”, diz à Folha Federico Russo, jornalista argentino que criou o programa “Mundo Messi”, dedicado ao jogador, e conhecido por ser o profissional que tem mais contato com o atleta.

“Por outro lado, ele sabe que gera pressão com o que disse. É uma maneira de dizer: se não renunciam, dirigentes da AFA, renuncio eu.”

Russo explica que o tratamento dispensado pela federação local a seus jogadores tem sido motivo de tensão constante. Antes da final, Messi criticou a AFA nas redes sociais pelo atraso no voo em que estavam os atletas.

“Na Argentina, ele não recebe o tratamento de número um. Existe uma diferença abismal em relação ao que acontece na Alemanha, no Brasil. Eles pegaram um voo de linha para a final. Ele se cansou.”

Nas redes sociais, a hashtag #notevayasleo ficou entre as mais compartilhadas.

O adeus de Messi foi a pá de cal sobre a gestão de Segura à frente da AFA, segundo o diário “Clarín”. A AFA vive caos institucional, sob processo de intervenção da Fifa, que identificou problemas nas contas da sua filiada em contratos fechados com o governo local. O governo de Mauricio Macri também afirma ter encontrado irregularidades nas relações entre a entidade e governo anterior, de Cristina Kirchner. Pressionado pelo maior ídolo recente da Argentina, Segura renunciou.

GOLS NA SELEÇÃO PRINCIPAL –

Sua saída deve impulsionar forte agitação política para definir quem assumirá o cargo. Quem quer que seja o novo presidente, certamente terá que conversar com os jogadores que se rebelaram e tentar lhes garantir que a entidade investirá no cuidado deles da mesma maneira que outras seleções. Com a saída de Messi e a ameaça de debandada, os atletas abalam a relação hierárquica com a AFA.

A crise do futebol argentino ainda estendeu-se às páginas policiais nesta segunda, quando a sede da AFA foi esvaziada após uma ameaça de bomba, em um evidente gesto de protesto.

Em meio a cenário tão dramático, aqueles que o conhecem creem no retorno do único jogador eleito cinco vezes melhor do mundo.

“Vejo como uma decisão precipitada no momento em que estava abalado. Foram três derrotas em dois anos para quem já conquistou tudo no Barcelona. Creio que o veremos na Copa de 2018”, diz o ex-volante Edmilson, que jogou a seu lado em Barcelona.

“Estive com ele em Barcelona antes da Copa América, e conversamos sobre a Copa da Rússia. Ele se emociona ao falar do Mundial. É uma verdadeira obsessão dele conseguir ganhar um título pela seleção argentina. Não consigo acreditar que seja uma decisão eterna.”

CRONOLOGIA NA SELEÇÃO
2005 – Em sua primeira convocação, entrou no segundo tempo em amistoso contra a Hungria e, em 47 segundos foi expulso
2006 – Em sua estreia em Copas, marcou um gol contra Sérvia e Montenegro 2007 – Na Copa América, a 1ª decepção em finais, com uma goleada para o Brasil
2008 – Foi campeão da Olimpíada de Pequim
2010 – Melhor do mundo em 2009, decepcionou na Copa: não fez um gol sequer e perdeu por 4 a 0 para a Alemanha nas quartas
2011 – Melhor do mundo de novo, foi muito criticado na Argentina por transparecer indiferença após a queda nas quartas para o Uruguai
2014 – Na Copa do Mundo no Brasil chegou à final, mas teve nova decepção após perder para a Alemanha na prorrogação
2015 – Favorito na final da Copa América no Chile, perdeu nos pênaltis para #os donos da casa
2016 – Na Copa América, tornou-se o maior artilheiro da seleção argentina, mas, anunciou o adeus da seleção após perder um pênalti e a final contra o Chile


Fonte: Folha.com.br

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