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SDS admite falhas de comunicação na apuração da morte de Paulo Morato

A Secretaria de Defesa Social reconheceu nesta segunda-feira (27) que houve uma falha de comunicação entre os integrantes da equipe que começaram a investigar, na última quarta-feira  (22), a morte do empresário Paulo César Morato, que estava foragido da Polícia Federal após a deflagração da Operação Turbulência. A falha se deu pelo fato de o perito papiloscopista Lauro Macena, que estava no local no dia que o corpo foi encontrado, num motel em Olinda, ter solicitado perícias complementares para o dia seguinte. Na quinta-feira, contudo, a orientação de Lauro foi suspensa pela gerente de Polícia Científica, Sandra Santos. A ordem de Sandra fez uma equipe que já estava no local para complementar sair. O caso gerou polêmica e desconfiança.  

Sob a coordenação do secretário executivo de Defesa Social, Alexandre Lucena, os nomes que iniciaram a investigação, como a delegada Gleide Ângelo, a perita Vanja Coelho e o perito Lauro Macena participaram de uma coletiva. Estavam presentes também o chefe de Polícia, Antônio Barros, e o superintende da Polícia Federal, Marcelo Diniz. “Temos que alinhar os procedimentos dentro de uma cena onde há um óbito. Há um reconhecimento que houve uma falha de comunicação”, disse Alexandre Lucena, que perguntava o tempo todo aos presentes da se a SDS estava fazendo algo para encobrir o caso, enquanto os demais respondiam “não”.  

Lauro demonstrava timidez ao se expressar e falava de forma baixa. Ele disse que comunicou verbalmente a Gleide e a Vanja que precisavam ser feitas novas perícias papiloscópicas, mas elas não ouviram. Gleide e Vanja, duas das profissionais mais reconhecidas em investigações em Pernambuco, disseram que o local estava muito barulhento e a cena estava contaminada.

Segundo Gleide, quando o Plantão da Força-Tarefa chegou ao local, o corpo do empresário já havia sido manipulado, ensacado e já estava sendo levado para o IML. O motivo era que, inicialmente, a vítima não tinha identidade e ninguém sabia que se tratava de Paulo César Morato, que tinha em conta R$ 24 milhões e era um dos testas de ferro de empresas que desviavam recursos para campanhas políticas. A descoberta da identidade de Paulo César já foi feita tardiamente, porque os policiais do Varadouro que chegaram antes e até mesmo os funcionários do motel onde ele foi encontrado, na Avenida Perimetral de Olinda, imaginaram ter sido uma morte natural, por não haver sinais de violência, sangue ou armas.

Vanja falou claramente que, a partir do momento que a equipe saiu do local,  já de madrugada, liberou a cena do suposto crime, em virtude da contaminação do ambiente. Sendo que Lauro já tinha enviado um documento solicitando mais investigações e mais coleta de impressões digitais.

Gleide Ângelo explicou também que, após investigar a morte de Paulo César Morato, teve que se deslocar para um homicídio em Cruz de Rebouças. Ela só chegou na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa por volta das 3h da quinta-feira (23), quando preencheu todos os documentos referentes ao caso de Paulo César Morato e da outra vítima, que estava em outro local e não tem relação com o caso. No documento sobre César Morato, encontrado morto no dia 22, Gleide solicitava vários tipos de perícia, mas o documento era retroativo ao dia 22. E ela só pode escrever no dia 23. Vanja completou o seguinte: “Quem vai definir a causa da morte a consequência da natureza jurídica do caso é a tanatoscopia”.

O superintendente da Polícia Federal disse que a instituição já está de posse dos pertences apreendidos no veículo dirigido por Paulo César, um Jeep Renagade. Mas disse que não daria mais informações sobre o caso naquele ambiente porque se tratava de tirar dúvidas sobre as polêmicas da morte de Paulo César. Ele disse que confiava totalmente na Polícia Civil de Pernambuco. O PSol, contudo, pediu que a Polícia Federal assumisse o caso.


Fonte: Diário de Pernambuco

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