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Sebastião Campello: A drenagem do Recife

O Recife é uma cidade plana, situação que dificulta a sua drenagem. Entretanto tem uma grande quantidade de canais e riachos que facilitam o escoamento das águas das chuvas.

Falo com a autoridade de quem foi secretário de Obras da Prefeitura do Recife, há 52 anos e que praticamente acabamos com os grandes alagamentos que se sucediam às fortes precipitações pluviométricas durante os invernos. Em plena chuva eu saia de carro e marcava nos postes os pontos de alagamento. Quando parava a chuva ia ver se descobria a razão do alagado.

As ruas são aparentemente planas, mas têm uma leve inclinação até um ponto baixo e voltam a ter uma inclinação ascendente para atingir um ponto alto, voltam a inclinar-se para baixo, formando vários pontos baixos,  locais onde coloca-se uma sarjeta de escoamento das águas pluviais.  Como o construtor responsável pela pavimentação é normalmente distinto do construtor do sistema de drenagem, muitas vezes a sarjeta não fica no ponto baixo e dá-se o alagamento. O segundo ponto que me parece importante é aumentar a velocidade da água nos canais e pequenos rios que recebem as águas do sistema de drenagem nas  grandes  precipitações. Isso pode ser feito por meio de um dispositivo chamado “Hélice de Arquimedes”.  Finalmente, é preciso retirar a areia que se deposita nos tubos do sistema de drenagem. Essa é a mais importante das providências.

Lembro-me  que  conseguimos desobstruir a galeria da rua da Concórdia que tem 1,00 m. de diâmetro e que  estava completamente  cheia de areia, deixando só 0,10 m. livre.

Na Barão de Souza Leão, no Mar Hotel, havia um grande alagamento e ao lado do Colégio Americano havia uma verdadeira lagoa.  Feito o nivelamento topográfico, descobrimos que o Canal do Setúbal tinha uma cota acima desses pontos e não se podia escoar as águas das chuvas. Descobrimos, também, que o Rio Jordão, quase a um quilometro de distância, ficava  bem abaixo das cotas desses pontos. Construímos uma galeria de escoamento dessas águas e resolveu-se o problema.  Na lagoa, ao lado do Colégio Americano, escoada as águas,  encontramos um jacaré com 3,50 m. de comprimento.

O principal é a equipe sair em dia chuvoso, em lugar de ficar no escritório, para verificar os pontos de alagamento e, depois, diagnosticar a causa. 


Fonte: Diário de Pernambuco

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