Sinpol protocola pedidos de justificativa sobre proibição de perícia em motel

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) protocola na manhã desta segunda-feira junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e à Secretaria de Defesa Social (SDS) pedidos de justificativa ao governo do estado por ter suspendido a perícia papiloscópica no quarto do Motel Tititi, em Olinda, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo Cézar de Barros Morato, procurado pela Operação Turbulência da Polícia Federal (PF). De acordo as investigações, a vítima seria “laranja” em um esquema de lavagem de dinheiro que teria sido usado para o financiamento de campanhas do ex-governador Eduardo Campos (PSB) e para a compra do avião que caiu em agosto de 2015, motivando a morte do então candidato a presidente da República e mais cinco pessoas, entre pilotos, assessores e equipe de imprensa de Campos.

Em nota, o sindicato adiantou que a ordem para barrar a realização da perícia teria partido do próprio secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, e da Gestora da Polícia Científica, Sandra Santos. Também por meio de nota oficial, a SDS informou que todas as perícias necessárias e solicitadas pela autoridade policial responsável pelo inquérito foram coletadas pela equipe de peritos que estiveram no local do crime, acompanhando a Força Tarefa do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) na noite da quarta-feira passada. E que, na manhã da quinta-feira, a referida equipe de peritos papiloscopistas teria se dirigdo espontaneamente e sem ordem superior ao local para realizar uma perícia complementar.

“Estamos pedindo explicação ao secretário de Defesa Social sobre o motivo dos peritos terem sido impedidos de realizar um procedimento padrão de fundamental importância para a elucidação do fato, para se chegar à verdade”, questiona o presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros, com base em relatos da Associação dos Peritos Papiloscopistas de Pernambuco (Asppape).

 

Sem querer se identificar, um dos peritos papiloscópicos que teriam sido “barrados” na entrada do motel contou ao Diario que a equipe foi impedida de realizar um procedimento de praxe previsto para as primeiras 24 horas após a descoberta do crime e garantido pelo artigo 161 do Código de Processo Penal (CPP) para ser realizado em qualquer dia e em qualquer horário: “As equipes de perícia do Instituto de Criminalística (IC) e Instituto Tavares Buril (ITB) que foram acionados pela Força Tarefa observaram que o local interno, com dois cômodos e diversos objetos, não poderia ser periciado na mesma noite. Não haveria condições científicas de fazer o trabalho e isolaram a cena para que fossem recolhidas as impressões digitais no dia seguinte, por uma equipe maior”, conta.

 

Periciamento padrão

O perito continua afirmando que foi “com um colega do plantão posterior com base em uma informação deixada pelo colega que isolou o local, para que fossem recolhidas digitais que pudessem existir na cena toda, seguindo um padrão nacional para comprovar se a vítima estava sozinha ou se havia outra pessoa no local. Só este tipo de perícia poderia indicar isso, nas paredes, janelas, portas, em móveis que não poderiam ser retirados do local para análise posterior, mas fomos impedidos”, explica.

 

Ainda segundo o policial civil, a necessidade de nova perícia teria sido informada pelo colega à delegada Gleide Ângelo e ao dono do estabelecimento, razão pela qual o quarto continuava isolado. “Até um advogado que estava lá estava ciente, mas eu não pude entrar. Já estava chegando ao local quando recebi um telefonema da gerente de Identificação Criminal, Ivoneide Constantino, dizendo que teria recebido uma ordem da gerente de Polícia Científica, Sandra Santos, alegando que o secretário teria dito que este caso já estaria repercutindo demais e que tinha muito repórter lá. Estranhei porque isso nunca aconteceu”, acrescentou, alegando que todos esses detalhes foram relatados em documento encaminhado à Coordenação do Núcleo de Perícias do ITB.

Oposição
Esta tarde, a bancada de oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) reúne-se para discutir as denúncias dos policiais. O encontro, a portas fechadas, será realizado no plenarinho do anexo 3 da casa legislativa antes da sessão plenária de hoje. “Todos nós estranhamos uma denúncia tão grave e até agora o governo do estado não ter se posicionado objetivamente. Esta tarde, faremos também uma reunião com o presidente do Sinpol e estamos esperando, até hoje à noite, que o estado se pronuncie, sob o risco de ingressarmos com pedidos junto ao Ministério Público estadual e federal para que investigue essa denúncia. Vamos também fazer um pedido de informação ao secretário e ao estado e temos a prerrogativa que os obriga a responder para que o governo possa tratar desse tema de forma mais transparente para que o caso seja elucidado”, adiantou o deputado Sílvio Costa Filho (PRB), presidente da bancada de oposição da Alepe.

Além delem fazem arte da bancasa atualmente mais 10 parlamentares: Edilson Silva (Psol), Teresa Leitão (PT), Joel da Harpa (PTN), Júlio Cavalcanti PTB, Odacir Amorim (PT), Socorro Pimentel (PSL), Ossésio Silva (PRB), José Humberto Cavlcanti (PTB), Augusto Cesar (PTB), Priscila krause (Dem). Ao final da reunião o grupo deverá se pronunciar sobre o caso.

 

Resposta
Também esta tarde, às 14h30, a Secretaria de Defesa Social (SDS) vai conceder uma entrevista coletiva sobre o caso Paulo Morato. A imprensa será recebida no auditório da SDS, na Rua São Geraldo, bairro de Santo Amaro, no Recife.

Mistério
Enquanto isso, permanece o mistério em torno da morte do empresário Paulo César de Barros Morato, num caso que começou a ser chamado de PC Morato, em alusão ao caso PC Farias, também cercado por dúvidas e com circunstâncias parecidas como denúncias de ligação com crimes políticos e de desvio de recursos públicos.

O corpo permanece no Institito de Medicina Legal (IML) aguardando o resultado de perícias realizadas em material recolhido embaixo das unhas do empresáro que podem indicar se ele entrou em luta corporal com um possível assassino e também do exame toxicológico, que pode apontar para a ingestão de drogas, álcool ou outras susbtâncias químicas que poderiam apontar para um caso de envenenamento ou suicídio.

Por enquanto, ainda não há informação oficial sobre a previsão de liberação do cadáver para sepultamento. Na semana passada, familiares de Paulo Cézar estiveram no instituto para saber informações sobre os procedimentos. mas na manhã de hoje ninguém foi visto no local.

 

Confira a nota do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol):

Não bastassem as graves, mas não surpreendentes, revelações de um suposto esquema de desvio de verbas públicas para financiar campanhas do Partido Socialista Brasileiro (PSB), em especial as do ex-governador Eduardo Campos, a Diretoria do SINPOL tomou conhecimento, nesta quinta-feira (23), que Peritos Papiloscopistas – os Policiais Civis responsáveis por realizar perícias em locais de crime para, dentre outras atribuições, detectar e identificar a presença de indivíduos suspeitos no local por meio das impressões digitais – foram impedidos de realizar perícia no quarto do motel Tititi, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo César de Barros Morato.

Segundo informações repassadas ao SINPOL, a ordem para barrar a realização da perícia papiloscópica teria partido do Secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, e da Gestora da “Polícia Científica”, Sandra Santos. O empresário encontrado morto estava foragido, arrolado a Operação Turbulência, da Polícia Federal (PF), que justamente investiga desvios de mais 600 milhões de reais operados pelo PSB e empresários, segundo a PF. Diante dos fatos, uma pergunta ecoa firmemente: a quem interessa uma frágil investigação desse crime?

Causaria-nos profunda estranheza o impedimento da perícia técnica na cena de qualquer crime. Mas inegavelmente esse caso envolve elementos pouco comuns e de amplo impacto na sociedade. No momento em que observamos a devassa na endêmica corrupção que corrói as estruturas da política e do Estado brasileiro, não podemos deixar que esses possíveis desvios de dinheiro público, que deveriam estar sendo empregados na saúde, na educação e na segurança dos pernambucanos, deixem de ser devidamente apurados. São muitas questões graves que envolvem o episódio, sobretudo por se tratar de uma testemunha que aparece misteriosamente morta, pouco depois de ter sua prisão preventiva decretada.

Os Peritos Papiloscopistas pernambucanos já foram fundamentais para desvendar vários casos de repercussão no estado, como o do médico Arthur de Azevedo, por exemplo. Tal ingerência, supostamente perpetrada pelo Secretário de Defesa Social e pela Gestora da Polícia Científica, que estão sob o comando do Governador Paulo Câmara, é inadmissível em um estado democrático de direito e deve ser combatida com o total rigor, tanto contra os emissários quanto aos mandatários desse verdadeiro crime contra a democracia e a justiça.

É por isso que o SINPOL luta pela profissionalização e independência administrativa e financeira da Polícia Civil. Para que possamos investigar a tudo e a todos, sem qualquer tipo de intromissão política. Não sendo suficiente o sucateamento da Polícia Civil de Pernambuco, consentido e operado pelo Governo do PSB, entramos explicitamente em uma fase perigosa da conjuntura. Beiramos o fascismo, ou qualquer outro regime ditatorial, quando o Estado se “auto sabota” para atender interesses políticos e particulares, favorecendo a corrupção e a ocultação de graves crimes.

A DIRETORIA

Confira a nota da Secretaria de Defesa Social (SDS):

A Secretaria de Defesa Social (SDS) esclarece que todas as perícias necessárias e solicitadas pela autoridade policial responsável pelo inquérito foram coletadas pela equipe de peritos que estiveram no local do crime, acompanhando a Força Tarefa do DHPP na noite da quarta-feira (22/06).

Entretanto, uma equipe de peritos papiloscopistas se dirigiu espontaneamente e sem ordem superior na manhã da quinta-feira (23/06) ao motel onde o empresário Paulo Cesar Morato foi encontrado morto, a pretexto de realizar uma perícia complementar no local, razão pela qual recebeu ordem para retorno.

O quarto onde o corpo foi localizado foi liberado após a conclusão dos trabalhos.

Desde que a Secretaria de Defesa Social tomou conhecimento de que a vítima se tratava de um foragido da Operação Turbulência, desencadeada pela Polícia Federal, imediatamente manteve contato com a Superintendência do Órgão (a quem cabe a investigação sobre o envolvimento do morto em crimes de corrupção) disponibilizando informações e entregando inclusive o material apreendido com Paulo Morato (celulares, pendrives, documentos e objetos pessoais).

Centro Integrado de Comunicação da SDS


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook