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Terezinha Nunes: Sociedade doente?

Por Terezinha Nunes
Jornalista

Pesquisa do Ibope divulgada pelo jornal Folha de São Paulo aponta que 51% dos brasileiros usam as redes sociais para se informar sobre os assuntos políticos mas conclui que as notícias negativas são muito mais acessadas que as positivas. No mundo inteiro é assim. Muitas vezes um detalhe, uma fofoca sobre um homem público, ganha maior dimensão do que a melhor biografia que ele possa ter.

Aqui entre nós, porém, essa constatação é mais grave porque precisamos construir novos caminhos depois de toda essa crise política, econômica, moral e ética em que estamos metidos e é necessário que a sociedade esteja aberta para uma discussão positiva e propositiva, o que, até agora, não está acontecendo. Atirar pedra no outro, espalhar balas perdidas, tem sido, infelizmente, uma tônica em nosso país até recentemente visto como uma nação pacata que abrigava um povo acolhedor.

As notícias, no entanto, têm sido as piores possíveis. E não só na política. Recentemente nos escandalizaram os estupros coletivos de adolescentes no Rio de Janeiro, Piauí e Brasília. Também em Brasília há poucos dias um menino de 11 anos foi degolado por causa de um videogame. No Espírito Santo, outra criança, um homossexual de 14 anos, foi assassinado a pedradas.

Quanto está valendo uma vida humana que é ceifada por causa de um videogame? Por que, de repente, a intolerância, a ganância, o desrespeito pelo próximo, bateram à nossa porta? Tem se atribuído o aumento da criminalidade atual à crise econômica que produziu mais de 10 milhões de desempregados. É difícil crer, afinal a violência não é  sinônimo de pobreza e uma necessariamente não causa a outra.

Uma coisa há de se constatar. Nossa sociedade está doente por razões históricas, sociológicas ou mesmo políticas e é preciso que haja união para vencer este mal. O papa Francisco tem chamado a atenção para o respeito ao outro e para a misericórdia que deve estar no coração de todos os cristãos, independentemente da religião que professem.

O ódio, a ganância, o preconceito não casam com a misericórdia que condena o pecado mas jamais condena o pecador. Se Jesus acolheu a todos, quem somos nós para enxergar diferença entre as pessoas? Que a poeira baixe e o Brasil reencontre-se consigo mesmo e com a imagem que sempre vendeu ao mundo é urgente e muito esperado. Que a fase ruim sirva para que analisemos nossos passos e rumemos para o mundo melhor. Jamais pior do que vimos observando.


Fonte: Diário de Pernambuco

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