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Zika não atrapalha Olimpíada, diz Organização Mundial da Saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afastou ontem qualquer possibilidade de recomendar o cancelamento ou o adiamento dos Jogos Olímpicos, mas transformou o vírus da zika em emergência internacional. Ainda transferiu para o Brasil a responsabilidade de evitar contaminações e pediu que o governo reforce as medidas de controle, às vésperas do evento no Rio.

Em reunião de emergência, em Genebra, os cientistas indicaram que existe um “consenso científico suficiente” para não considerar apenas a microcefalia como um alerta, como se definiu em fevereiro, mas o próprio vírus como emergência internacional.

Na prática, isso significa que os alertas não valem mais apenas para Brasil, Colômbia e outros oito países com casos de microcefalia, mas para todos os mais de 60 com surto do vírus. “Há um consenso de que é o vírus que causa a mal-formação e, portanto, a emergência é agora de zika”, disse David Heymann, presidente do Comitê de Emergência. Isso significa que as medidas de controle, que antes eram precauções, agora são consideradas como ações a serem tomadas em todos os locais com o vírus. “Há uma mudança real”, afirmou Bruce Aylward, diretor de Epidemias da OMS.

A entidade estava sendo pressionada por cientistas para adotar uma postura mais dura em relação aos Jogos no Rio, em agosto. Depois de mais de cinco horas de reuniões, porém, os cientistas apontaram que não havia justificativa para recomendar o cancelamento. “Existe um risco muito baixo de uma proliferação ainda maior do zika como resultado dos Jogos Olímpicos”, disse a OMS. “A intensidade das transmissões será mínima.” Hoje, 20% da população mundial vive em áreas com zika e 30% das viagens internacionais já são para esses países com casos. “A Olimpíada é pequena nesse contexto”, disse Aylward.

Reforço e gravidez
Apesar de minimizar os riscos, a OMS transferiu grande parcela de responsabilidade para o Brasil. Durante o encontro de ontem, o Ministério da Saúde indicou que a população de mosquitos estava em queda e foi cobrada pelos cientistas sobre o que será feito. O governo prometeu mais investimentos em saúde.

Segundo Aylward, foram estipuladas quatro áreas de prioridade para o país: maior controle do vetor, mais informação sobre as medidas que estão sendo adotadas, melhor monitoramento da doença e distribuição de repelentes e preservativos. A OMS ainda insistiu em recomendações anteriores, sobretudo para que mulheres em países afetados adiem planos de gravidez, enquanto estrangeiros que passem pelo Brasil devem considerar adiar a gestação em pelo menos dois meses.


Fonte: Diário de Pernambuco

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