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A classe operária vai ao paraíso

A seleção portuguesa tem apenas um virtuoso: Cristiano Ronaldo. Se, com ele em campo, Portugal só conseguiu ganhar, no tempo regulamentar, uma das seis partidas que disputou na Eurocopa antes da final, sem ele praticamente desde o sétimo minuto do jogo contra a França a lógica mais óbvia diria que a França ganharia –e até com certa facilidade.

Não foi assim, em mais um desses mistérios que tornam o futebol um esporte tão fascinante.

Foi a vitória da classe operária ou, em termos mais futebolísticos, de um punhado de atletas apenas medianos, que, no entanto, suaram os 120 minutos e exibiram uma aplicação tática invejável.

Portugal fechou o meio de campo com pelo menos cinco jogadores, o que obrigava a França a tentar o passe longo, para tentar furar o primeiro bloqueio.

Como os franceses tampouco têm virtuosos nesse setor do time, com a exceção de um Pogba relativamente apagado, poucos eram os passes que conseguiam superar esse primeiro obstáculo –apenas para parar na segunda linha de defesa, comandada por um imperial Pepe.

Para acrescentar mistério à partida, a França começou avassaladoramente. Mas, quando Cristiano Ronaldo deixou o campo chorando, aos 24 minutos, parecia que a equipe local sentiu o golpe mais do que os próprios companheiros do astro luso.

O resto do primeiro tempo foi de uma mediocridade compatível com o nível apenas mediano desta Eurocopa. No segundo tempo, Portugal desistiu de jogar, limitando-se a uma outra estocada, como se estivesse confiante de que venceria na prorrogação (ou nos pênaltis), como acontecera ao longo do torneio.

Deu certo. Marcou o gol, já no segundo tempo da prorrogação, para uma vitória sem maior brilho, mas merecida porque a França, com uma equipe melhor, não teve forças para quebrar a marcação portuguesa.

Mistério final do futebol: seus dois maiores astros –Messi e Cristiano Ronaldo não conseguiram deixar suas marcas nos grandes torneios que acabam de disputar.


Fonte: Folha.com.br

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