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'Acabou a tristeza', diz torcedor na sede da Portuguesa, em São Paulo

Assim que a final da Eurocopa terminou no Stade de France, em Saint Denis, na França, quase mil pessoas gritaram “é campeão!” na sede da Portuguesa, em São Paulo.

Para quem assistiu ao jogo neste domingo (10) no Canindé em telão montado no ginásio do clube, o título europeu era também do time paulista.

“Torço para Portugal porque isso faz parte de torcer para a Lusa”, afirmou Antônio Dionísio, 76, conhecido como “Caverna”.

Cearense, ele mudou para São Paulo há 50 anos. Diz ser sócio da Portuguesa desde então. “Nunca perdi um jogo. Estava no estádio em 1973”, quando a equipe venceu o seu último grande título, o Campeonato Paulista.

Para ele, uma vitória de Portugal é “a maior alegria de sua vida”, superando o título brasileiro da série B, conquistado em 2011.

Perguntados sobre as expectativas para a final, a maioria dos presentes respondia apreensiva, como o comerciante Gustavo Miranda, 37, descendente de portugueses: “É uma tarefa difícil, mas tomara que vençam”.

“O histórico tanto de Portugal como da Lusa mostra que costuma ser sofrido”, disse, relembrando a final perdida pela seleção na Eurocopa de 2004 (contra a Grécia) e pelo clube em 1996, no Brasileiro. “Mas hoje pode ser nosso dia. Afinal, temos o melhor do mundo, Cristiano Ronaldo”.

Toda vez que “o melhor do mundo” aparecia no telão, quem estava no ginásio batia palmas e gritava. Assim que saiu de campo machucado, ainda no primeiro tempo, alguns torcedores se desanimaram, prevendo o pior.

À medida em que a partida avançava, retomavam a confiança. No intervalo, enquanto uma banda tocava fado, a torcida organizada da Portuguesa tremulava bandeiras e esticava faixas.

“É nossa maior chance, merecemos vencer uma vez”, afirmou o português Pedro Mourão, 41, que mora em São Paulo há três anos.

Torcedor do Corinthians, nunca viu um jogo da Lusa, mas pintou o rosto com as cores da bandeira para ir ao clube torcer por seu país. “Desta vez, merecemos”.

Quem estava na quadra comemorou duas vezes: uma quando o francês Gignac acertou a trave aos 46 minutos do segundo tempo. A outra quando o português Éder fez o gol da vitória.

Nos minutos finais, enquanto parte dos torcedores da Portuguesa rezavam ajoelhados, outros já comemoravam o título.

Assim que o árbitro encerrou a partida, o cearense Caverna segurava o choro. “Essa é a coisa mais linda que eu já vi”, disse, emocionado. “Acabou a tristeza”.


Fonte: Folha.com.br

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