Últimas

Acusado de homicídio diz que ofereceram R$ 100 mil para ele inocentar deputado

O réu Rogério de Menezes Vasconcelos, acusado de envolvimento na morte do servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos, em 2004, e de integrar uma milícia comandada pelo ex-deputado e ex-vereador Luiz Pedro, está sendo julgado no 2º Tribunal do Júri da Capital. O magistrado John Silas conduz o julgamento, que deve terminar por volta das 18h desta quarta-feira, 20.

Ao ser interrogado, o réu alegou que foi acusado de ser o mandante do crime para inocentar o ex-deputado. “A minha mãe foi assassinada em 2010 e antes disso ela foi procurada pelo meu ex-advogado que informou que Luiz Pedro queria me oferecer R$ 100 mil para eu vir aqui e dizer que ele não tinha nada a ver com esse crime. Eu não poderia fazer isso porque não sabia se ele era envolvido ou não”.

Rogério afirmou ainda que teme por sua vida desde o ocorrido e que quando foi preso, em 2005, sofreu ameaças de morte de pessoas supostamente ligadas à quadrilha.

“Eu não vim antes aqui porque estava sendo ameaçado de morte, acredito eu que pelas mesmas pessoas que mataram a minha mãe e que são as mesmas que mataram o Carlos Roberto. Nunca tive problema com Carlos Roberto e também nunca trabalhei para o Luiz Pedro”, completou.

Motivo torpe

O Ministério Público de Alagoas (MPE/AL) acusa Rogério de ser integrante da quadrilha comandada por Luiz Pedro e de ser o principal interessado na morte da vítima, já que eles teriam se desentendido.

O promotor Carlos Davi Lopes afirmou que o réu está sendo julgado pela prática de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. “Ele não participou da execução, mas atuou como intermediário na pessoa de confiança do ex-parlamentar Luiz Pedro e era quem recrutava os vigilantes da localidade. Então, ele funcionou como um tipo de intermediário entre as ordens dadas pelo Luiz Pedro e a execução realizada pelos vigilantes”, afirmou.

O advogado Raimundo Palmeira afirmou que, primeiramente, Rogério foi acusado de ter participado do sequestro de Carlos Roberto, mas que a companheira da vítima não o reconheceu como um dos quatro homens que levaram o servente de pedreiro.

“Rogério alega inocência o tempo todo e não há elementos que o vinculem ao crime. Essa acusação foi alterada várias vezes, de partícipe, ele passou a ser coautor, de coautor já se diz que ele planejou, porque não se tem como colocá-lo no local do crime. Então o processo é cheio de falhas em relação ao acusado Rogério e tendo em vista todo esse histórico de apuração no Ministério Público a condenação do Rogério hoje seria uma condenação à pena de morte”, disse Raimundo Palmeira.

Testemunhas

A primeira testemunha a ser ouvida pelo juiz foi José Gilson Lopes do Nascimento, comerciante no Benedito Bentes há cerca de 20 anos. Na ocasião, a promotoria questionou se ele conhecia o réu e se o havia contratado para assassinar Carlos Roberto, depois de sofrer um assalto supostamente praticado pela vítima.

 “Nunca tive problema com o Beto, nem com o senhor Sebastião (pai da vítima) e não o acusei de nada. O Rogério era promotor de vendas e visitava várias lojas no Benedito Bentes, por isso o conhecia. Nunca tive tempo de sentar com Rogério para falar sobre nada que não fosse sobre os produtos do mercadinho. Quando fui assaltado na frente de um banco, acionei a polícia”, contou.

O pai da vítima, Sebastião Pereira, foi a segunda testemunha a depor. Ele afirmou que o filho era usuário de drogas, mas que era uma pessoa tranquila e que não tinha passagens pela polícia. “Ele era um menino doce e todo mundo gostava dele, só quem não gostava era o pessoal do Luiz Pedro. Pegaram meu filho sem a mínima condição de defesa por volta de 1h30 da madrugada. Ele foi sequestrado, morto com 21 perfurações e depois o corpo dele sumiu do IML.”

Sebastião Pereira disse que todos no bairro sabiam que o réu não gostava de seu filho e que antes do assassinato houve uma discussão entre os dois em um bar após Rogério tentar tomar a cerveja da vítima sem pedir autorização. O réu teria ainda solicitado ao dono da casa onde Carlos Roberto morava para que ele fosse despejado a fim de instalar a sede da associação criada pela milícia.

 “Rogério era o administrador da associação fajuta que eles formaram para pegar o dinheiro do pessoal, como da água clandestina e para tomar conta daquela área. Tudo que acontecia lá era de conhecimento da organização que ceifava a vida daqueles que não cumpriam suas ordens”, declarou.

Ainda em seu depoimento, o pai da vítima contou que ele e sua família vivem com medo desde que o filho foi assassinado. “Minha vida está muito difícil por causa desse elemento. Perdi minha esposa para a depressão porque ela não suportou, meus outros filhos enfrentaram o problema de não frequentarem a faculdade com medo dele, um mudou de faculdade, a outra está desempregada e não se formou até hoje. Ele é uma pessoa que todos temem, não é nenhum santo”.

A terceira testemunha a ser interrogada seria a companheira da vítima que presenciou o momento em que ele foi tirado de casa por quatro homens. Devido a medidas de segurança, a testemunha que está sobre proteção da Justiça foi dispensada de comparecer ao julgamento.

 

Cadaminuto

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook