Últimas

As lições do Atlético Nacional, campeão da Libertadores, para os times brasileiros

Clube colombiano chega ao título continental com uma fórmula bem diferente a da primeira conquista

O Atlético Nacional conquistou a Copa Libertadores após vencer o Independiente Del Valle por 1 a 0 e levou a sua segunda taça continental. Mas a diferença como os dois títulos foram conquistados é gritante e mostra como um clube que não parou no tempo pode competir com equipes de países com muito mais dinheiro. E a moral da história poderia servir de exemplo para os brasileiros.


GOALLEIA MAIS: GOAL
Atlético Nacional 1 x 0 I. Del Valle | Mortos e feridos na festa do título | Só Pelé fez igual


Campeão do torneio em 1989, os Verdolagas esteve muito associado ao narcotraficante Pablo Escobar. A suspeita na época era de que o criminoso injetava dinheiro nas equipes de Medellín para promover o país internacionalmente e até ameaça a árbitros foram registradas naquela edição.

Mas agora a história é outra, exemplar. Poucos anos após a morte de Escobar, o Atlético foi assumido por um rico conglomerado empresarial, que buscou deixar para trás a imagem que o time tinha, para transformá-lo numa verdadeira empresa, em busca de lucro, metas e resultados.


(Foto: Arquivo)

Ainda que cada caso tenha suas particularidades, a conquista da equipe colombiana tem exemplos claros, que se servissem de inspiração para os dirigentes daqui, trariam grandes melhorias para o nosso futebol. O problema é que as velhas práticas estão tão arraigadas em nossos clubes que é difícil pensar em um rompimento com o modelo ultrapassado, mesmo com os recentes fracassos verde-amarelos.

Confira as chaves do título do Atlético Nacional

Em 1996, os Verdolagas passaram para as mãos da OAL, um grupo empresário comandado pelo bilionário Carlos Ardilla Lülle. Muitos por aqui podem pensar que assim fica muito fácil para montar grandes times, mas esse não era o foco inicial.

Ao contrário de clubes brasileiros, que quando recebem grandes aportes pensam apenas em contratações e títulos, a prioridade foi deixar para trás dirigentes que trabalhavam pela “paixão” para colocar profissionais que soubessem gerir a agremiação como um negócio.


(Foto: Getty Images)

“Durante os primeiros anos, o que fizeram foi transformar o nacional em uma empresa, com políticas e boas práticas institucionais”, revelou o diretor de planejamento e desenvolvimento, Víctor Marulanda, em entrevista à Folha.

Desde forma, os dirigentes que “não recebem nada para trabalhar aqui” (frase muito comum em clubes por aqui) não tem vez por lá.

Sem amadores mandando, é mais fácil estabelecer metas e buscar meios viáveis de cumpri-la. A receita do Atlético Nacional na última temporada bateu recorde: US$ 25 milhões (quase R$ 81 milhões na cotação atual).

A discrepância com o futebol brasileiro é imensa. O São Paulo, time eliminado pelos colombianos na semifinal, faturou quatro vezes mais em 2015: cerca de R$ 330 milhões. Para se ter uma ideia, o valor paga pelos direitos de televisão na Colômbia não passa de US$ 1 milhão para os principais clubes, enquanto que no Brasil, o Fla recebe quase R$ 200 milhões.

Desta forma, o time de Medellín precisa ter precisão no investimento e saber quem está sendo contratado e para qual propósito. Ainda que os salários e as transferências no mercado interno colombiano envolvam quantias menores, eles ainda precisa tirar essa diferença quando um torneio internacional chega com um desafio bem maior.

PROJETO CLARO PARA O FUTEBOL


(Foto: Getty Images)

Todo mundo fala de projeto no futebol brasileiro, mas pouquíssimos conseguem levar isso em frene por pouco mais de alguns meses. Um exemplo: é impossível explicar o que os dirigentes do Cruzeiro pensam após terem Deivid, Paulo Bento e agora Mano Menezes como treinador. Não há um linha de pensamento que una essas três contratações, que já resultaram em duas demissões.

Para se ter uma ideia, somente este último ciclo vitorioso já dura quatro anos, seguindo uma mesma mentalidade. Começou com o Juan Carlos Osorio e continua agora com Reinaldo Rueda, que pode sair para a seleção paraguaia. O estilo de jogo e gerenciamento está definido e os comandantes e jogadores que se seguem são escolhidos de acordo.


(Foto: Getty Images)

Isso é até básico, mas faz parte de uma cartilha que passa longe dos cartolas verde-amarelos. Ou vamos esquecer que Juan Carlos Osorio passou pelo São Paulo e foi criticado até internamente por fazer exatamente o que tinha como princípio na equipe anterior?

“Superamos a diferença de poderio financeiro com a vontade de ganhar, com os sonhos. Nós acreditamos que podemos competir igualmente e ganhar algumas vezes com essa confiança e com a competência do nosso corpo técnico e dos nossos jogadores”, declarou o presidente verdolaga, Juan Carlos de la Cuesta, de apenas 36 anos, ao Globoesporte.

EFICIÊNCIA COM FUTEBOL BONITO

O Brasil já foi um dia o pais do futebol bonito. A ideia de que “brotam talentos” trouxe a sensação que não precisava ser organizado e os fracassos recentes tanto na Seleção quanto dos times nacionais fez ganhar força o movimento do “futebol de resultado”. Tem até torcedor que defende essa mentalidade, que se não tivéssemos matéria-prima para ir além.

Só que o Atlético Nacional foi na outra direção e a achou a fórmula ideal entre ser ofensivo e ter eficiência, se transformando no melhor time da competição, seja em assistir, seja em sucesso. E não falamos apenas na conquista do título.

Com a vitória de quarta-feira, 27, os colombianos se transformaram na equipe que mais conquistou pontos em apenas uma edição da Copa Libertadores: 33. Além disso, foi o time que mais deu passes, o terceiro em cruzamentos na área e o segundo em gols marcados, dribles tentados, chutes a gol, posse de bola e chances de gol criadas.

Confira outros números do Atlético Nacional na Libertadores 2016


Fonte: Goal.com

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook