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Buffet dá o cano em casamento e noivos fazem festa com bolo de padaria e copo descartável

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Os convidados tiveram de por a mo na massa e cozinhar macarro. Foto: Arquivo pessoal

O grande dia da administradora Raquel Ramos Santana Melo, 31 anos, e do advogado Daniel Carreiro Miranda, 28, foi marcado pelo calote de um buffet contratado para o casamento. A data só não foi totalmente estragada por causa da solidariedade de parentes e amigos, que improvisaram o resto da festa.

Os noivos foram vítimas do golpe neste sábado, quando a empresa contratada por R$ 7 mil para fornecer doces, bebidas e salgados para 150 pessoas não apareceu. Os contratados garantiram até o último minuto que as comidas estavam chegando e depois pararam de atender os celulares. Diante do prejuízo financeiro e moral, o casal vai registrar boletim de ocorrência e acionar a Justiça contra a empresa. 

Segundo a noiva Raquel, o buffet D’Paula, de Contagem, registrado como Dpaula Rocha Recepções e Eventos em nome de Gustavo de Paula Barcellos, foi contratado em fevereiro deste ano para fazer a festa do casamento no dia 23 de julho, às 16 h, no Sítio Paraíso da Mata, em Vespasiano. Tudo havia sido confirmado pela noiva e pelo cerimonial na véspera, mas o fornecedor não apareceu. 

De acordo com Raquel, ela e o cerimonial ligaram várias vezes no dia da cerimônia. Em uma das ligações, o dono do buffet chegou a dizer que os salgados haviam estragado e que mandaria itens de comida de boteco para o evento. A espera continuou e nada apareceu.

“Não veio nada, ninguém apareceu. E depois descobri que eles haviam fechado uma festa para outra noiva no mesmo dia e horário”, conta Raquel. 

Segundo a noiva, a cerimônia religiosa foi feita como planejado e, na sequência, parentes e amigos começaram a se mobilizar e saíram para comprar salgados, bolos e cerveja. “Fizemos o brinde no copo de plástico. Todos os amigos ajudaram, a família foi para a cozinha e não sabia se ria se chorava. Tivemos que fazer a escolha, eu e meu noivo, porque ou a gente ficava feliz por ver as pessoas comovidas ajudando ou com raiva pelo resto do evento”, disse. 

Passado o susto, os dois vão à Justiça. “Se ele já fez outras vezes, problema dele, agora vai em cana. Dinheiro a gente fica sem, mas pretendo ir até o fim”, afirma. Raquel disse que tinha referências do buffet e mesmo assim foi lesada. “O medo é ele fugir”, afirma. 

A dona do cerimonial Qualitè e cerimonialista do casamento disse que já havia feito evento com o buffet e, apesar de ter tido vários problemas, a festa aconteceu. “Fiquei chocada e agora a gente vai ficar mais atento. Tem muita gente fazendo isso no mercado, muitos buffets dando o cano, infelizmente parece que virou moda”, disse.

Entre outras precauções, a cerimonialista aconselha os noivos a buscarem sempre referências dos fornecedores e verificar se eles têm um telefone fixo para evitar transtornos. É preciso também visitar o local e verificar as informações.

Alexandra Faria ainda aconselha aos casais a contratarem um cerimonial, que é a empresa que se encarrega de fazer outras contratações, em vez de fechar os contratos sozinhos. “Muitos noivos acham olhando tudo sozinho sai mais barato, mas a gente tem o conhecimento de mercado e o cerimonial orienta muito isso”, disse. 

O Estado de Minas tentou contato com o celular registrado do buffet D’Paula mas estava desligado. O número fornecido às vítimas também não atendeu. A página da empresa no facebook foi desativada. 

Comida estragada

Os estudantes Renata Santos, 24, e Matheus Ferreira, 25, que se casaram no mesmo dia e horário no sítio Recanto da Mata, em Contagem, ficaram sem festa por causa do mesmo buffet. 

A noiva conta que pagou cerca de R$ 20 mil por mobília e fornecimento de salgados, comida de boteco e jantar, além de um barman para fazer drinks na hora. No lugar disso recebeu alimentos insuficientes, carne congelada, jiló e limão estragados. 

“Ele não mandou vasilhame, não tinha água nem gás para fazer a carne, não dava mesmo. Os garçons queriam ir embora porque ele não tinha pago ninguém. Meu pai teve que pagar também a mobília, que queriam levar de volta por causa do cano”, conta Renata. 

Festa cancelada

A noiva só soube dos detalhes da confusão depois da cerimônia e decidiu cancelar a festa. Ela anunciou no microfone para os convidados o motivo. Ela registrou boletim de ocorrência na manhã desta segunda-feira. “Não tinha plano B, não tinha recursos para resolver. Conseguimos o telefone do pai do Gustavo e ele foi até lá mas nem assim ele apareceu”, conta Renata, que contratou o buffet por indicação de uma amiga. Além de ter ido à festa, ela disse ter escolhido o fornecedor pela qualidade da degustação. 

“Me programei muito para este casamento, tudo foi muito bem feito. Não tem dinheiro que pague o que ele fez e acho que nem vamos conseguir receber. Não desejo mal para ele, mas quero que ele saia do mercado para não poder fazer o que fez com a gente com mais ninguém. Ninguém merece passar pelo que a gente passou”, desabafa a noiva.


Fonte: Diário de Pernambuco

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