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Cardápio de escolas do DF tem frutas e verduras até cinco vezes por semana

Dalila aprova a mudan
Dalila aprova a mudana de cardpio para ajudar na qualidade de vida dos trs filhos: certeza de que comero bem durante o horrio de estudo. Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press

O padrão da alimentação dos adolescentes colocou em alerta o Ministério da Saúde e obrigou as autoridades sanitárias a iniciarem uma série de mudanças nas refeições disponibilizadas nas escolas. A intenção do governo federal é estabelecer parâmetros mais saudáveis para os alunos, a fim de diminuir os riscos de doenças crônicas não transmissíveis — principal causa de morte no DF na última década. Entre os 20 alimentos mais consumidos pelos adolescentes, os refrigerantes estão entre os seis primeiros, à frente das hortaliças. Frutas nem aparecem na lista. A Secretaria de Educação está se alinhando para atender às novas regras.

O lançamento do Estudo de riscos cardiovasculares em adolescentes (Erica), realizado pelo Ministério da Saúde e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que 8,4% dos jovens entre 12 e 17 anos são obesos. A pesquisa inédita resultou em uma portaria em que o ministro da Saúde, Ricardo Barros, modifica diretrizes para a promoção da alimentação saudável. A ação do chefe da saúde foi ancorada na geração de pessoas acima do peso, hipertensas e acometidas por males cardiovasculares e problemas ligados a ingestão elevada de bebidas açucaradas, alimentos ultraprocessados, salgados fritos ou assados e biscoitos doces.

No momento, Barros busca a adesão espontânea de outros interlocutores do governo, como órgãos, empresas e secretarias. Depois, vai apresentar proposta para mudança legislativa a ser aplicada nas escolas públicas e privadas. “Vamos tentar adesão a essa política por parte de todos os que patrocinam alimentação com recursos públicos. Estamos iniciando a padronização da alimentação saudável oferecendo frutas da estação e carnes frescas”, explicou o ministro, ao ressaltar que a geração que nasce agora tem, em média, menos quatro anos na expectativa de vida em relação aos pais. “É a primeira vez que temos este cenário”, lamentou Barros.

Na capital federal, a oferta de frutas, verduras e hortaliças ocorre três vezes por semana aos estudantes de meio período, e cinco vezes para aqueles de turno integral. Um grupo de quatro nutricionistas planeja o cronograma alimentar para as 14 regionais de ensino. A ideia é apresentar os mantimentos na forma natural e abolir enlatados e artificiais. “Ainda há muita resistência. O maior desafio é fazer os adolescentes entenderem e optarem pela alimentação saudável. A opção pelo mais rápido é popular entre os alunos”, detalhou Gabriela Sotério, diretora de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação. No DF, 70,7% da população não consome frutas e verduras suficientes para uma alimentação equilibrada.

A partir de agora, a oferta deve ser de alimentos como cereais, raízes, verduras e legumes, frutas, castanhas e outras oleaginosas, leite e derivados, carnes, ovos e pescados. Também fica proibida a venda, a promoção, a publicidade ou a propaganda de alimentos industrializados com excesso de açúcar, gordura e sódio, e prontos para o consumo.

Risco

A dieta dos adolescentes, segundo o estudo, começa nos populares arroz e feijão, mas degringola com pães, sucos industrializados e carnes — que lideram o cardápio de mais da metade desse público. Na sexta posição, vêm os refrigerantes. Completam a lista doces e sobremesas, café, frango, hortaliças, massas, biscoitos doces, óleos e gorduras, raízes (como mandioca, inhame e cenoura), salgados frios ou assados, carnes processadas, bebidas lácteas, queijos e outros derivados do leite, biscoitos salgados, bolos e tortas.

O fato de se pular refeições na adolescência também é preocupante. Quase 22% dos jovens nunca tomam café da manhã. Os hábitos refletem na qualidade de vida. Segundo a Secretaria de Saúde, 55,1% dos brasilienses morreram em 2014 vítimas de doenças crônicas não transmissíveis ligadas a práticas ruins.

“Temos um hiato, que é a educação nutricional. O essencial é que os governos se unam para efetivar essas políticas. O maior abismo é convencer as secretarias de Educação a operarem esses parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. É uma proposta importante, mas ainda tímida”, critica o nutricionista Clayton Camargos. Michele Lessa, coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, discorda. “Além do alerta dos dados inéditos do Erica, estamos iniciando novos protocolos de alimentação”, defendeu.


Fonte: Diário de Pernambuco

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