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Chefe da manipulação deu golpe em comparsas, mas foi entregue por eles

Alvo de mandado de prisão e ainda não localizado pela Polícia Civil na operação “Game Over”, que investiga esquema de manipulação de resultados de partidas de futebol no Brasil, Anderson da Silva Rodrigues, 41, também vinha sendo procurado por seus “sócios”.

Considerado o chefe da quadrilha no país, Rodrigues cultivava “modus operandi” segundo o qual se aproveitava dos serviços de seus aliados para se aproximar de clubes em dificuldades financeiras e então passava a evitá-los, sem repassar a eles os valores combinados.

Ex-zagueiro com passagem de oito anos pelo futebol da Indonésia (2002-2010), Rodrigues mantém contato frequente com quadrilha de apostadores que atua na Indonésia, na Malásia e na China, e que tem interesse em manipular resultados de jogos para lucrar nas bolsas de apostas. Ele que negocia valores e o que acontecerá nas partidas para que os apostadores acertem seus investimentos, desde o número de cartões e escanteios até o próprio desfecho definitivo. A Polícia vê indícios de sua interferência em jogos das Séries A2 e A3 do Campeonato Paulista, e em divisões inferiores do Norte e do Nordeste.

Segundo a Folha apurou, o levantamento de bens feito pela Polícia indicou dificuldades financeiras de quase todos os envolvidos. O ex-goleiro Carlos Luna, por exemplo, mora de favor na casa da sogra e tinha processo por falta de pagamento de pensão em aberto. “É a maior humilhação da minha vida, minha ex-mulher deve estar comemorando”, disse na oitiva à Polícia.

O esquema de manipulação de resultados não favoreceu os supostos aliciadores porque Rodrigues cortava relações assim que conseguia o que desejava, concentrando em si mesmo as somas pagas pelos asiáticos.

Rodrigues abordava os parceiros perguntando se conheciam algum clube com problemas financeiros. Apresentando-se como empresário, ele dizia que tinha interesse em investir nos clubes. Aos poucos, ele revelava a intenção de comprar resultados de partidas. Na conclusão do negócio, ele tratava diretamente com o contato que fez no clube, cortando o parceiro, que então ficava sem nada. Em seus depoimentos à Polícia, quase todos os suspeitos repetiram a história de que foram trapaceados.

Reprodução/Twitter/‏@marciosouzaa10
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Envolvidos no esquema da máfia de resultados

Rodrigues não enriqueceu, mas seu estilo de vida denota o aumento de renda advindo do controle do esquema. Morador de conjunto habitacional na zona norte do Rio de Janeiro, ele instalou ar condicionado em todos os cômodos. Além disso, trocou seu carro popular por um modelo muito mais caro. A Polícia estima que ele tenha ganhado cerca de R$ 200 mil com o esquema.

A Polícia encontrou apenas a mulher de Rodrigues no apartamento na quinta-feira (7), dia das prisões da maior parte dos suspeitos. Debaixo do colchão da cama, eles acharam um caderno com declarações apaixonadas direcionadas a Rodrigues e que não era de autoria de sua mulher. A Polícia ainda tem a hipótese, portanto, de que ele passe períodos no apartamento de uma amante.

Aborrecidos por terem sido trapaceados por Rodrigues, oito presos já admitiram conhecê-lo e têm colaborado com a Polícia para capturá-lo, dando detalhes de seus modos de agir. As escutas somam mais de cem horas de gravações de ligações feitas por Rodrigues, tanto para aliciadores no Brasil como para a quadrilha asiática. Neste caso, as ligações restringem-se a algumas palavras básicas em inglês que indicam os arranjos: “15 minutos”, “escanteio”, “fim de jogo”, “cartão amarelo”, etc..

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com.br

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