Compra do Milan é maior jogada da China no futebol

A China não tem medido esforços, muito menos dinheiro, para consolidar sua expansão no mundo do futebol. Nesta terça (5), deu seu maior passo até aqui para concretizar esse objetivo.

Um grupo de investidores do país fechou a compra do Milan, um dos mais tradicionais clubes do planeta.

O anúncio foi feito pelo ex-primeiro ministro da Itália Silvio Berlusconi, dono do clube rubro-negro de Milão por 30 anos. Ele vai receber 400 milhões de euros (R$ 1,46 bilhão) ao longo de dois anos.

Não faltam glórias na história do Milan. É o segundo maior vencedor da Liga dos Campeões da Europa, com sete títulos (fica só atrás do Real Madrid, com 11) e ganhou o Mundial quatro vezes. Foi campeão italiano em 18 ocasiões, só atrás da Juventus, com 32 trunfos.

Alguns dos maiores jogadores do mundo vestiram a camisa do Milan, entre eles os brasileiros Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo e Kaká. Entre o fim dos anos 80 e o começo dos 90, o clube dominou o futebol europeu com um esquadrão comandado pelo zagueiro Franco Baresi e pelos holandeses Marco Van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard.

Alessandro Garofalo/Reuters
AC Milan's Kaka celebrates after scoring his second goal, the team's third, against Chievo Verona during their Italian Serie A soccer match at San Siro stadium in Milan March 29, 2014. REUTERS/Alessandro Garofalo (ITALY - Tags: SPORT SOCCER) ORG XMIT: AGA112
Kaká comemora um gol pelo Milan no estádio San Siro

MILÃO SOB DOMÍNIO

Os nomes dos investidores que compraram o Milan não foram divulgados, mas a imprensa italiana afirma que o grupo é liderado pelo empresário Robin Li, dono do mecanismo de buscas na internet Baidu e o sexto homem mais rico da China.

Ele terá como rival em sua nova empreitada o Suning Holdings, grupo chinês de investimentos que no começo do mês passado adquiriu 70% das ações da Internazionale por 270 milhões de euros (R$ 987 milhões).

Milan e Inter são os principais times de Milão, segunda maior cidade da Itália —só perde para Roma.

O dinheiro da China, aliás, não ganhou espaço apenas na Itália. Em proporções mais modestas, ele já chegou à Espanha e à Inglaterra, países que têm as duas ligas mais importantes do mundo.

No ano passado, o Grupo Dalian Wanda comprou 20% das ações do Atlético de Madri, atual vice-campeão europeu, por 45 milhões de euros (R$ 164 milhões). Um outro grupo de investimentos da China, cujo nome não foi revelado, havia adquirido 13% das ações do Manchester City, um dos clubes mais poderosos da Inglaterra, por valor não divulgado.

Ao entrar com força no mercado europeu, os empresários chineses têm dois objetivos: ganhar dinheiro com o futebol e ajudar a fazer da China uma potência do esporte mais popular da Terra.

Esse é um sonho do presidente do país, Xi Jinping. Apaixonado por futebol, ele tem sido fundamental no crescimento do esporte no país. Uma de suas metas é levar Copa do Mundo à China.

Foi com uma providencial ajuda do governo —materializada com o patrocínio de empresas estatais a vários clubes— que a liga chinesa obteve rápida ascensão.

Nos últimos anos, os clubes do país asiático passaram a seduzir jogadores de alto nível, como o colombiano Jackson Martínez, o marfinense Gervinho e os brasileiros Ramires, Alex Teixeira, Renato Augusto, Gil e Hulk –esses três últimos têm sido chamados para a seleção.

Hulk, que defendia o Zenit, da Rússia, foi adquirido na semana passada pelo Shanghai SIPG por 55 milhões de euros (equivalente a R$ 201 milhões), um valor recorde para o mercado chinês.


Fonte: Folha.com.br

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