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Contraditório: Você é a favor do ônibus sem cobrador? SIM

Sócio de CDR Advogados e presidente da Subcomissão de Mobilidade Urbana da OAB/PE

Quando o assunto é segurança, todos nós passamos pelo temor de um dia sofrer ou ter parentes e amigos em situações de pânico na nossa cidade, seja em bancos, nas ruas, nas praças, nas escolas. Nesse contexto, sabemos que um dos pontos importantes de uma cidade é a mobilidade, que apesar dos investimentos realizados não escapa da violência urbana. Dentro do tema mobilidade, o transporte público aparece em destaque. E, para quem utiliza diariamente um dos quase três mil ônibus que circulam pela Região Metropolitana do Recife, o medo é constante. Estamos tratando de um meio de transporte que deveria ser dos mais seguros, pois possuem câmeras de vigilância, equipamentos de rastreamento monitorados vinte e quatro horas por dia pelas garagens das empresas operadoras e certamente bastante vigiado pelas equipes de segurança pública do estado. Mesmo com todo este aparato, o passageiro se sente ameaçado a cada viagem que percorre. O principal motivo, caro leitor, é a presença do dinheiro a bordo, que prende a atenção dos afoitos bandidos.

Dados da Secretaria de Defesa Social (SDS) revelam o aumento no número de assaltos a Ônibus no Grande Recife, com 451 (quatrocentos e cinquenta e um) registros de janeiro a maio de 2016, o que significa um aumento de 42% (quarenta e dois por cento) em relação ao mesmo período do ano passado. O Recife é o líder no ranking de ações criminosas registradas, com 51% (cinquenta e um por cento) do total de notificações oficiais. Foram, ao todo, 213 (duzentas e treze) ocorrências na capital, uma média de 43 (quarenta e três) casos por mês, ou seja, todos os dias temos pessoas assaltadas em um dos ônibus que circulam em nossa Região.

É estatisticamente comprovado que a remoção do dinheiro a bordo diminui significativamente as indesejadas ocorrências. Na cidade de Santos, por exemplo, logo quando das medidas adotadas pela prefeitura para o pleno uso da bilhetagem eletrônica, os assaltos a ônibus reduziram em 82% (oitenta e dois por cento). Com a implantação do pagamento exclusivo via bilhetagem este número caiu para cinco ocorrências diárias. Em Sorocaba, interior de São Paulo, onde desde 1992 o pagamento das viagens dentro dos ônibus somente pode ser feito por meio dos cartões eletrônicos, as ocorrências praticamente zeraram. Já em Campinas (SP) o número de assaltos a ônibus caiu para praticamente zero, após implantação do Bilhete Único em janeiro de 2015. Obviamente, o Sistema de Bilhetagem Eletrônica não deve ser uma medida isolada. É necessária a estrutura da segurança pública efetiva para alcançar cada vez menores indicadores.

Os dados acima demonstram que andar de ônibus nessas cidades se tornou certamente mais seguro. Com isso, a cada dia, gestores públicos percebem que esta tendência é irreversível e que comprovadamente a quantidade de assaltos diminuiu consideravelmente nos locais onde não se permite mais o pagamento das viagens em espécie. Além disso, a retirada do dinheiro dos coletivos contribui também para uma maior fluidez do trânsito, pois o tempo de embarque diminui e, consequentemente, encurta o tempo das viagens para os usuários. 

Por outro lado, muitos ainda se ressentem de todas essas melhorias para o sistema de transporte público, pois, muitas vezes, não será mais essencial a presença do cobrador. No entanto, torna-se imperioso esclarecer que para cada ônibus em operação, são necessários seis funcionários, significando que a principal estratégia quando ocorrer eliminação do posto de cobrador é que haja alocação desses profissionais em outras áreas da empresa, fazendo com que estes possam, através de capacitação, ter uma evolução na carreira, tornando-os mais qualificados no mercado de trabalho.


Fonte: Diário de Pernambuco

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