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Deputado critica política de confronto em áreas pacificadas com UPP no Rio

A política de enfrentamento nas comunidades pacificadas onde foram implantadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) demonstra o insucesso desse modelo de policiamento e o aumento das mortes de policiais militares e civis nessa política de guerra. A afirmação foi feita pelo deputado estadual Paulo Ramos (PSOL), que é major reformado da Polícia Militar (PM) e presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) criada para apurar as causas do aumento do número de mortes e incapacitações de profissionais de segurança pública.

Segundo o parlamentar, há muito tempo a política de segurança pública está baseada na “eliminação do inimigo”. Ramos disse que, ao longo dos anos, os governadores consideraram um êxito a “política do confronto”. Ele citou como exemplo os Estados Unidos, que não usam mais essa política de ocupação de território. “A ocupação de território acarreta baixas, e os americanos perderam milhares de soldados nas guerras de que participaram nos últimos anos”, disse o deputado à Agência Brasil.

Ramos ressaltou que, nesse tipo de política, “as tropas de ocupação mais bem armadas, aparelhadas e preparadas ocupam o território e voltam, mas os policiais das UPPs ficam nas comunidades. Aí ocorrem as operações policiais de enfrentamento, visando à eliminação do inimigo, que começou a reagir, e o número de mortes vem aumentando de ambos os lados”.

Para o sociólogo Dário Silva, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), nos últimos dois anos, tanto o efetivo militar quanto o efetivo da Polícia Civil vivem uma guerra contra o crime organizado, e a polícia do Rio é a que mais tem mais vítimas nesses confrontos, inclusive com policiais mortos fora do horário de trabalho. “Mas [a polícia do Rio] também é a que mais mata no país.”

Para o professor, o crescimento desses índices tem uma série de tentáculos, entre os quais destacam-se o tráfico internacional de armas e drogas e a guerra pelo poder entre grupos criminosos rivais. Silva citou ainda as chacinas contínuas com as quais a população vai se acostumando e que se tornam algo familiar pela banalização do crime. “Nos últimos 25 anos, parece que não é prioridade uma solução estrutural em termos de política de segurança. E, com o aumento dos casos, a população aposta que, com mais confronto, é possível reduzir a onda de violência, mas o que se vê é o contrário”, disse Silva.

Prioridade é preservar a vida, diz Secretaria

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança diz que tem como prioridade a preservação da vida e a redução de índices de criminalidade no estado. Por isso, investe desde 2007 no processo de pacificação nas comunidades e na implantação do Sistema Integrado de Metas. De acordo com a secretaria, houve 17 mortes decorrentes de oposição à intervenção policial em áreas de UPP no primeiro semestre do ano passsado, o que equivale a uma redução de 82,8%, se comparado ao registrado no primeiro semestre de 2008 (99 vítimas).

O número de mortes em reações à intervenção policial também caiu no período de 2007 a 2015. A redução foi de 51,5% (685 vítimas).

A nota da secretaria diz ainda que tomou várias medidas para reduzir os índices de violência no estado: diminuiu o uso de fuzis, criou o Centro de Formação do Uso Progressivo da Força e a Divisão de Homicídios, que passou a investigar as mortes decorrentes de oposição à intervenção policial. O comunicado destaca que, desde 2007, 2.038 policiais foram expulsos das corporações pelas corregedorias.

Com a morte do subtenente reformado da PM Carlos Magno Sacramento, de 54 anos, no início desta semana, em Itaboraí, região metropolitana do Rio, sobe para 60 o número de policiais militares assassinados desde o início do ano no estado do Rio. O policial estava em um bar, bebendo com amigos, na tarde de segunda-feira (11), quando foi baleado. Sacramento chegou a ser socorrido, mas, levado a um pronto-socorro socorro, não resistiu aos ferimentos.


Fonte: Diário de Pernambuco

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