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Deputados promovem caça aos votos para presidência da Câmara

Brasília – A campanha dos candidatos à presidência da Câmara já começou. Nos corredores, santinhos eletrônicos chegavam aos celulares dos deputados e cabos eleitorais já se movimentavam. Com a base do presidente em exercício Michel Temer rachada, o líder do PSD na Casa, Rogério Rosso (DF), confirmou ontem de manhã que vai entrar na disputa. Ele conta com a simpatia do Centrão, bloco de 13 partidos que dão sustentação ao governo interino. Sabe, porém, que não terá o apoio oficial do Planalto. Ainda assim, promete fidelidade do ao presidente em exercício. “Serei um aliado do presidente Michel Temer”, afirmou. A eleição que definirá o “presidente-tampão” da Câmara foi marcada para as 16h de amanhã depois de muito vaivém e bate-boca entre deputados e o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA).

Formalizaram seus nomes ontem Christiane Brasil (PTB-RJ), filha do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, que levou uma claque uniformizada para protocolar sua candidatura, Fernando Giacobo (PR-PR), Heráclito Fortes (PSB-PI) e Luiz Erundina (PSOL). Com eles, a lista oficial tem nove candidatos e outros três anunciaram a intenção de disputar a vaga (veja quadro). A expectativa é de que o número chegue a cerca de 16 nomes. As inscrições podem ser feitas até o meio-dia de amanhã.

A data da eleição, confirmada ontem por Maranhão, foi fechada em acordo construído ao longo de domingo entre líderes partidários e alguns dos candidatos. O presidente interino tinha marcado a sessão para quinta-feira. Os líderes partidários, por sua vez, tentavam antecipar o pleito para hoje. A data intermediáriareduz o risco de jogar a decisão para agosto e permite que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) discuta hoje o recurso de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contra o parecer pela cassação de seu mandato aprovado pelo Conselho de Ética.

Preocupação
Em conversa com integrantes da cúpula do PSDB na noite de domingo, Temer demonstrou preocupação em haver um racha na base aliada com a eleição para o presidente da Câmara e reafirmou que não vai interferir diretamente na disputa. No cenário atual, com a maioria dos candidatos de partidos aliados ao governo, o Palácio do Planalto trabalha para sair ileso já tendo em vista que não conseguirá unificar sua base em torno a um único nome.

Rogério Rosso afirmou ontem que não acredita que o lançamento de vários candidatos da base aliada de Michel Temer represente um racha. “O racha depende muito da atitude de cada candidato”, afirmou. Líderes do Centrão já se movimentavam ontem para  anular a possibilidade do lançamento de candidatos de várias legendas que integram o bloco e garantir apoio a Rosso. Falando como favorito do Planalto, o líder do PSD defendeu que a Casa precisa retomar o ritmo de trabalho e tocar pautas propostas por Temer. “A governabilidade precisa ser garantida. O governo Temer tem colocado sementes importantes que precisam ser trabalhadas”, disse.

Ele negou que seja o candidato favorito de Cunha. “O deputado Eduardo Cunha não vota. Não fiz parte da aliança que o levou à presidência. Conheci Cunha nesta legislatura. Como líder, tinha como atribuição ter relação no mínimo respeitosa com o presidente da instituição. Não se pode confundir isso com nenhum tipo de apoiamento histórico”, disse. Durante o jantar, no Palácio do Jaburu, porém, Temer ouviu do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do líder do partido na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), que há dificuldade entre a bancada em apoiar a candidatura de Rosso porque ele teria se transformado, na avaliação do PSDB, no “candidato do Eduardo Cunha”.

Rosso defendeu um “pacto de elegância” para evitar ataques diretos entre os adversários na disputa. “Eu pretendo propor a um por um, depois que forem oficializadas as candidaturas, um pacto de elegância em prol da Casa. Não se pode fazer um embate de baixo nível.” Apesar do discurso, o deputado criticou partidos que estão fazendo alianças “incoerentes”. Ele não citou um exemplo, mas fez referência ao PT, que articula apoiar candidato de um histórico partido opositor – Rodrigo Maia (RJ), do Democratas. “São alianças com difícil explicação política. Eu não topo vale-tudo”, disse.

O movimento do Centrão em torno de Rosso, além de tentar evitar o racha, é uma reação ao crescimento da candidatura de Rodrigo Maia, que se viabilizou ao conseguir apoio de parte do PT e outros partidos de esquerda, além de ter interlocução com quadros do centrão e apoios nas legendas da velha oposição – DEM, PSDB e PPS. A avaliação dos parlamentares é de que os dois são os mais fortes para a disputa de um eventual segundo turno. A proximidade do PT com Maia, no entanto, tem provocado protestos dos militantes, que começaram a pressionar os deputados e, ao que tudo indica, o partido terá de recuar nessa articulação.

Briga no PMDB
O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) informou que seu partido fará reunião na manhã de hoje para decidir se terá candidato único. Ele já adiantou que vai se apresentar como nome de consenso. A briga promete, uma vez que, também do PMDB, Fábio Ramalho (MG) garante ter o apoio do governo. A bancada do PSDB também deve se reunir hoje para definir qual candidato vai apoiar, já que não vai lançar candidatura para o mandato-tampão. Já o primeiro-secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), reiterou sua candidatura, apesar de não tê-la formalizada. Disse não ter motivo para desistir devido à entrada de Rosso e que os entendimentos entre deputados da base deveriam ocorrer só no segundo turno. “Eu pondero que apresentemos as propostas no primeiro turno. Não vai quebrar a base. Sobre quem for ao segundo turno, terá meu apoio quem apoiar o Michel Temer”, disse Mansur. (Com agências)

Já confirmados na disputa
– Fausto Pinato (PP-SP): 39 anos, advogado. Está em seu primeiro mandato.

– Carlos Gaguim (PTN-TO): 55 anos, administrador. Também está no primeiro mandato. Foi vereador e deputado estadual no Tocantins. Governou o estado após a cassação do então governador Marcelo Miranda e do vice Paulo Sidnei pelo TSE, em 2009.

– Carlos Manato (SD-ES): 58 anos, médico. Está no quarto mandato na Câmara. É o atual corregedor da Casa e já ocupou cargos de suplente na Mesa Diretora.

– Marcelo Castro (PMDB-PI): 66 anos, médico. Está no quinto mandato. Foi ministro da Saúde do governo da presidente afastada, Dilma Rousseff.

– Fábio Ramalho (PMDB-MG): 54 anos, empresário. Está no terceiro mandato. Foi prefeito do município de Malacacheta (MG) entre 1997 e 2004.

– Heráclito Fortes (PSB-PI): 65 anos, funcionário público. Está no quinto mandato. Ex-integrante do DEM, foi um dos principais opositores do governo Lula no Senado. Já comandou a Prefeitura de Teresina.

– Fernando Giacobo (PR-PR): 46 anos, empresário. Segundo vice-presidente da Câmara, está no quarto mandato.

– Cristiane Brasil (PTB-RJ): 43 anos, advogada. Filha do delator do mensalão Roberto Jefferson, está no primeiro mandato.

– Luiza Erundina (PSOL-SP): 81 anos, assistente social. Primeira mulher prefeita da cidade de São Paulo, está no quinto mandato na Câmara.

Candidaturas não oficializadas
– Rogério Rosso (PSD-DF): 47 anos, advogado e músico. Está no segundo mandato. Presidiu a comissão do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara

– Rodrigo Maia (DEM-RJ): 46 anos, bancário. Está no quinto mandato.

– Beto Mansur (PRB-SP):  65 anos, radialista, empresário e engenheiro eletrônico. Primeiro-secretário da Câmara, está no quinto mandato. Foi prefeito de Santos (SP).

Como será a eleição
– Serão admitidas, até o meio-dia de amanhã, candidaturas de qualquer bancada e também candidaturas individuais.

– A ordem dos nomes dos candidatos na urna eletrônica será sorteada às 13h de amanhã.

– Cada candidato terá 10 minutos para apresentar as suas propostas.

– Se nenhum deputado obtiver a maioria absoluta dos votos da Câmara (257) no primeiro turno, o segundo turno entre os dois mais bem votados acontecerá uma hora depois do encerramento da primeira votação, e cada candidato terá novamente 10 minutos para falar. Nesse caso, basta maioria simples dos votos para ganhar a eleição.

– Em caso de empate, será eleito o candidato mais idoso entre os de maior número de legislaturas na Casa.

– O parlamentar eleito cumprirá, até fevereiro de 2017, um mandato-tampão, na vaga aberta com a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).


Fonte: Diário de Pernambuco

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