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Dinheiro proveniente da Ásia toma de assalto o poderoso futebol europeu

A compra do Milan por um grupo de investidores da China, anunciada nesta terça-feira (5) por Silvio Berlusconi, dono do clube rubro-negro pelos últimos 30 anos, é mais um passo da “invasão” asiática ao futebol europeu.

O dinheiro vindo da Ásia está entrando na Europa por vários países, e por clubes de variados tamanhos. Os investidores asiáticos têm adquirido desde superpotências, como o próprio Milan, até agremiações modestas, que sequer disputam a principal divisão de seus países.

O Milan foi comprado por um grupo que, segundo a imprensa italiana, é liderado por Robin Li, o sexto homem mais rico da China. Maior rival do clube rubro-negro, a Internazionale também está nas mãos de chineses -no caso, o grupo Suning Holdings, que no mês passado adquiriu 70% das ações da agremiação azul e negra de Milão.

Não são apenas chineses, no entanto, os asiáticos que estão tomando a Europa de assalto. Nos últimos anos, dois clubes entraram para a elite futebolística do continente graças ao investimento de gente endinheirada do Oriente Médio.

Em 2008, o Manchester City, da Inglaterra, foi comprado por Mansour bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos. Desde então, o time saiu da sombra do Manchester United, clube mais popular da cidade de Manchester, e conquistou dois títulos ingleses, além de ter chegado à semifinal da Liga dos Campeões da Europa.

Uma história muito parecida foi vivida pelo Paris Saint-Germain. Adquirido em 2011 por Nasser Al-Ghanim Khelaïfi, do Catar, o clube passou a contratar craques de primeira linha, como Ibrahimovic, Thiago Silva e Di Maria, e assumiu o domínio do futebol francês. Sem concorrentes no país, a equipe ganhou as quatro últimas edições do campeonato nacional.

DE TODOS OS TAMANHOS

Nem só de grandes jogadores, ou de competições glamourosas, vivem os clubes que têm asiáticos como donos. Alguns deles não conseguem se aproximar dos maiores de seu país nem mesmo com o dinheiro da Ásia -caso do Valencia, adquirido em 2014 por Peter Lim, de Cingapura, e que nem assim foi capaz de ameaçar Barcelona e Real Madrid. E outros sequer sonham com isso.

É assim com o italiano Bari, de Noordin Ahmad, da Malásia, e com o inglês Queens Park Rangers, do também malaio Tony Fernandes. Esses clubes sequer disputam a divisão de elite de seus países.

E era assim também com o Leicester City, do tailandês Vichai Srivaddhanaprabha. O clube tornou-se a grande sensação do futebol mundial neste ano ao ganhar o Campeonato Inglês, contra todos os prognósticos, mas isso não ocorreu porque o proprietário investiu uma quantidade brutal de dinheiro na equipe. Para os padrões ingleses, o gasto do Leicester sempre foi modesto.

E na Inglaterra, país com muitos clubes adquiridos por asiáticos, ocorreu um curioso caso de choque cultural, uma espécie de síntese dos novos tempos do futebol. O pequeno Cardiff City, que é do País de Gales, mas faz parte da liga inglesa, pertence a Vincent Tan, empresário da Malásia que em 2012 resolveu trocar a cor do uniforme, tradicionalmente azul, para vermelho. A alegação é que essa cor poderia fazer o clube ganhar popularidade da Ásia.

A torcida do Cardiff, clube cujo apelido é “blue bird” (pássaro azul, em inglês), revoltou-se com a mudança e os protestos duraram três anos, até que Tan finalmente se rendeu e aceitou que a equipe voltasse a entrar em campo com sua cor de origem.


Fonte: Folha.com.br

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